Blog do Prof. Francisco de Assis Sousa

Em dia com a poesia: Pá (Por Salgado Maranhão)


Foto: ReproduçãoO mais piauiense dos maranhenses, Salgado Maranhão.
O mais piauiense dos maranhenses, Salgado Maranhão.

Segue a pá nos enterrando
sem ter data para parar;
choramos por todo lado,
sem termos com quem contar;
choramos em toda parte
entregues ao Satanás:
quem tenta acolher não pode,
quem tem que fazer não faz.

Choramos para ninguém:
Bezerros que perdem a mãe.

Foto: Facebook Salgado MaranhãoUm poema forte!
Um poema forte!

José Salgado Santos, ou simplesmente Salgado Maranhão (Caxias, 1953) é um poeta e compositor brasileiro maranhense que nasceu no povoado de Canabrava das Moças, e desde cedo auxiliou os pais na lavoura. Foi alfabetizado tardiamente aos 15 anos. E o gosto pela poesia veio com os trovadores e as rodas de viola que eram feitas em sua casa, confessou o poeta, que aos 20 anos se mudaria definitivamente para o Rio de Janeiro. Antes passou pelo Piauí, Teresina, onde conheceu o poeta tropicalista Torquato Neto e de quem recebeu o nome poético de batismo, Salgado Maranhão.

Foto: Secretaria Municipal de Educação de Vila Nova do PiauíEste colunista com o poeta Salgado Maranhão, em 2011
Este colunista com o poeta Salgado Maranhão, em 2011

O município de Caxias, no Maranhão, onde nasceu, também serviu de berço para autores como Gonçalves Dias e Coelho Neto.

No Rio de Janeiro, chega a 9 de abril de 1973, e passa a estudar Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica, curso que nunca chegara a concluir.

Compositor-letrista, possui mais de 50 músicas gravadas por vários artistas como Amelinha, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Rosa Marya Colin, Vital Farias, Zizi Possi, Ivan Lins.

Como poeta, afirma não ganhar dinheiro com poesia, mas já foi traduzido para o inglês, alemão, italiano, francês, sueco, e em breve, japonês. Vive de palestras que ministra pelo Brasil e mundo a fora. Já esteve a convite em mais de 50 universidades americanas como Harvard e Yale, onde sua poesia virou objeto de estudo.

Em 1999, recebeu com o livro "Mural de Ventos"Prêmio Jabuti, o maior prêmio literário do Brasil. Venceu em 2011, com o livro "A cor da palavra", o prêmio da Academia Brasileira de Letras, na categoria poesia. Em 2016, o mais novo livro "Ópera de Nãos" foi premiado com o Prêmio Jabuti, lhe concedendo o segundo título desta premiação na sua carreira.

Deixe seu comentário