A importância da pega correta no peito na primeira hora de vida do recém-nascido

A consultora em amamentação, a fisioterapeuta especialista em obstetrícia e puerpério, Shyjara Luna, explica sobre o assunto.
8 de Setembro de 2021 às 15:07 - Atualizada em 15h10

Foto: Reprodução/ Ascom A importância da pega correta no peito na primeira hora de vida do recém-nascido.
A importância da pega correta no peito na primeira hora de vida do recém-nascido.

A gravidez traz uma série de ansiedades como a melhor opção de parto, a saúde do bebê e também o processo de amamentação, que pode não ser fácil para as novas mamães, principalmente, nas primeiras horas de vida do recém-nascido. Por isso, ter o apoio de familiares e profissionais qualificados é fundamental nesse primeiro momento.
 
Uma das grandes dúvidas é sobre a “pega correta” do bebê no peito, que, de acordo com especialistas, afeta diretamente a amamentação. Além disso, a forma correta de alimentar o bebê interfere na produção do leite, alimento essencial para o desenvolvimento da criança. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o bebê que mama nas primeiras horas de vida reduz em 22% o risco de mortalidade.
 
“As maiores dificuldades no aleitamento estão relacionadas ao posicionamento do bebê na hora de amamentar, principalmente, se o parto foi cesáreo, pois a mãe precisa de auxílio de um acompanhante para posicionar seu bebê na mama. Outro fator que interfere é o formato do bico do seio, pois os invertidos e semiplanos são mais trabalhosos para o bebê pegar”, explica a consultora em amamentação, a fisioterapeuta especialista em obstetrícia e puerpério da maternidade da Med Imagem, Shyjara Luna (Crefito 195466-F).
 
Outros fatores que podem afetar esse início são a prematuridade do recém-nascido, que possuem déficit na coordenação de sucção e deglutição, e a mamoplastia redutora, pois dependendo da quantidade de tecido mamário retirado, causa prejuízos na amamentação.
 
Benefícios da pega correta
 
A pega correta do peito traz benefícios que vão além do bebê. Para a mãe, alimentar seu filho o quanto antes, pode diminuir a incidência de anemia. “Os estudos mostram que a sucção da criança faz a mãe produzir e liberar a ocitocina, um hormônio que ajuda na contração do útero, fazendo com que a mãe perca menos sangue após o parto e, consequentemente, tenha menor risco de desenvolver anemias e hemorragias. Se o bebê sugar antes de a placenta sair, a ocitocina liberada pela amamentação pode acelerar a expulsão da placenta”, esclarece  Shyjara Luna.
 
Orientação especializada
 
Profissionais de saúde qualificados são imprescindíveis para facilitar esse começo. Eles vão orientar sobre a forma como a criança deve se posicionar no ato da amamentação. “Para se ter uma pega correta não basta que o bebê faça a boquinha de peixe, ele precisa abocanhar toda a aréola ou pelo menos uma grande parte dela além de deixar o queixo dele livre para executar o movimento de sucção. Por isso, a maternidade da Med Imagem conta com profissionais que colocam o bebê para mamar tanto na sala de parto, na sala de recuperação e nos quartos das pacientes. Eles ajudam a posicionar os bebês para mamar, ensinando a pega e auxiliando no manejo da amamentação, destaca a consultora.
 
Leite materno é um alimento completo
 
O leite materno é essencial para o desenvolvimento do recém-nascido. É um alimento completo, rico em nutrientes necessários e suficientes para a alimentação nos primeiros meses de vida. De acordo com o Ministério da Saúde, amamentar reduz em 13% a mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos. “O leite materno possui composição nutricional balanceada, incluindo todos os nutrientes essenciais. Ele protege contra infecções e alergias, possui componentes anti-inflamatórios e promove o desenvolvimento adequado do sistema imunológico”, explica a nutricionista da Humana Saúde, Nathasha Dias (CRN 6 9631)
 
A especialista reforça a importância da amamentação nas primeiras horas de vida, pois o leite produzido nos primeiros dias possui um diferencial. “O leite produzido inicialmente se chama colostro, que é produzido nos primeiros dias após o parto. É um leite mais viscoso, amarelado, rico em proteínas, minerais, vitamina A e E. É um leite rico em anticorpos, tanto que é chamado de primeira vacina do bebê. É importante que o bebê receba esse leite. Muitas mães têm receio, acreditando ser um leite que não atenderá às necessidades do bebê, porém ele é riquíssimo e de extrema importância para o recém-nascido”, enfatiza a nutricionista.
 
Ainda de acordo com a especialista da Humana, o leite materno protege a criança de doenças, ajuda na formação dos dentes, no desenvolvimento da fala devido ao estímulo dos músculos faciais, previne a desnutrição, anemia e diarreia. Já para a mãe, além de combater a anemia, reduz riscos de desenvolvimento de câncer de mama e ovários.
 
Além de todos esses benefícios para a mãe e para o bebê, amamentar é um ato de amor. “A amamentação logo após o parto gera um vínculo afetivo entre a mãe e o bebê, além de ajudar na “descida do leite”. Se o bebê sugar logo ao nascer, vão ser liberadas endorfinas que irão modular a dor, o humor, a ansiedade materna e provocam sensação de prazer e bem-estar”, finaliza Shyjara Luna, consultora em amamentação.

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