Abandono escolar em Fortaleza cai 46% no Ensino Fundamental em 2019

De acordo com a secretaria municipal de educação, 947 estudantes abandonaram a escola em 2018, montante que reduziu para 508 no ano passado.

Foto: Camila Lima 947 estudantes abandonaram a escola em 2018, montante que reduziu para 508 no ano passado.
947 estudantes abandonaram a escola em 2018, montante que reduziu para 508 no ano passado.

A educação básica de Fortaleza chega em 2020 com a perspectiva de um cenário positivo. Pelo menos é o que aponta levantamento da Secretaria Municipal de Educação (SME) ao constatar que, em apenas um ano, o índice de abandono escolar caiu 46%. Os dados foram coletados a partir do Censo Escolar, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

De acordo com a pasta, 947 estudantes abandonaram a escola em 2018, montante que reduziu para 508 no ano passado, sendo 144 deles entre o 1º e o 5º ano e 364 do 6º ao 9º ano.

Reflexo na sala de aula

Com mais crianças e adolescentes em sala de aula o reflexo direto se deu no rendimento dos estudantes, uma vez que o número de alunos devidamente matriculados que foram reprovados reduziu 48,9%. Em 2018, 5.100 alunos não conseguiram passar de ano, caindo para 2.603 no ano passado.

O número de aprovados do 1º ao 9º ano, por sua vez, cresceu 7,18% no mesmo período, passando de 143.987 estudantes em 2018 para 154.336 em 2019. A porcentagem, porém, não representa aumento absoluto do número de aprovações, já que a quantidade de alunos matriculados na rede também cresceu: foram 150.034 matrículas em 2018, e 157.447 em 2019, um crescimento de aproximadamente 5%.

A professora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Adriana Eufrásio, destaca as diversas e importantes mudanças pelas quais passa o estudante em nove anos da educação básica, se fazendo necessário um maior acompanhamento, especialmente na transição do fundamental I para o II.

“Do 5º para o 6º ano a gente observa que tem uma mudança brusca, de conteúdo, ao número de disciplinas, então a gente vê que muita vezes nessa virada acontecem as reprovações. A escola se torna mais exigente, não tão atrativa como outras diversões que eles têm fora da escola. E o 9º ano é extremamente delicado. Pesquisas evidenciam índices de evasão grandes nessa etapa”, comenta.

Estratégias

A secretária de educação de Fortaleza, Dalila Saldanha, aponta estratégias determinantes para a melhora no rendimento escolar. Entre elas, está o monitoramento diário da frequência dos estudantes. Através de um sistema, que identifica se o aluno possui uma falta não justificada, a família já é acionada.

A educação em tempo integral, viabilizado tanto pelas 27 unidades de tempo integral de Fortaleza, como pelo programa de ampliação da jornada escolar - no restante das instituições - também foram importantes para o resultado, conforme a titular da SME.

A secretária explica que a modalidade, atualmente com cerca de 70 mil estudantes, conta com uma relevante qualificação pedagógica, com currículos voltados diretamente aos estudantes que apresentam a necessidade de um melhor atendimento.

A secretária ainda destaca ações direcionadas a períodos específicos, como o 3º o 6º e o 8º ano, que demandam maior atenção.

“Até o 2º ano temos a promoção automática. No 3º ano já começa a cumprir o curso, então o desafio é não deixar que ele se frustre logo no 3º ano, por isso temos uma rotina de acompanhamento, planejamento de professor, material didático, e as metodologias que são oferecidas”, diz.

O monitoramento quando o estudante chega ao 6º ano também se faz necessário pela mudança de perfil entre os dois períodos. “O aluno sai daquela atenção do professor regente para o 6º ano, então existe todo o trabalho de transição com o coordenadores pedagógicos para dar mais atenção a eles. E o 8º ano demanda maior atenção para que ele chegue no 9º ano com todas as condições dele concluir o Ensino Fundamental”, explica Dalila Saldanha.

Fonte: Com informações do G1CE

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