Antonio Banderas fala sobre desconstrução para ‘Dor e Glória’: ‘Tive que matar o que eu era’

Em novo filme de Pedro Almodóvar, exibido no Festival de Cannes, ator deixa estereótipo de galã de lado para dar vida a um cineasta gay, atormentado com brigas do passado e sufocado com uma doença gástrica: ‘Foi lindo'

Foto: Reprodução/web o galã espanhol Antonio Banderas dispara como favorito ao prêmio de melhor ator
o galã espanhol Antonio Banderas dispara como favorito ao prêmio de melhor ator

Sinônimo vivo de virilidade e beleza masculina desde sua estreia, em 1982, o galã espanhol Antonio Banderas dispara como favorito ao prêmio de melhor ator no 72º Festival de Cannes, de carona na calorosa recepção a "Dor e Glória" ("Dolor y Gloria"), novo filme de Pedro Almodóvar, exibido neste fim de semana.

Banderas serviu como um imã para os elogios recebidos por essa história sobre finitude.

“Tinha uma carreira na Espanha quando conheci Almodóvar, mas foi a partir da minha colaboração com ele que tomei contato com a real tradição da arte do meu país. Para se entender a alma espanhola, é preciso conhecer Picasso, Dalí, nossos poetas, nossos músicos e Pedro. Foi uma honra ter participado da contribuição que ele deu à construção de uma imagem de Espanha da primeira fila”, disse Banderas ao Gshowna coletiva de imprensa realizada neste sábado, 18/5.

Encarado por muitos como o filme mais autobiográfico de Almodóvar, embora o próprio diretor diga que todos seus longas têm essa natureza de espelhamento de suas experiências pessoais, "Dor e Glória" narra o sofrido cotidiano de um cineasta e escritor, Salvador Mallo (papel de Antonio Banderas), que lida com problemas de coluna e com uma severa doença gástrica que o sufoca.

"Acho que o personagem me contagiou, pois hoje estou com dor na coluna, mas já tomei um paracetamol", brincou Banderas, que tomou um susto no início do ano ao ser hospitalizado com dores no peito. "A saúde agora está indo bem".

No filme, Salvador desistiu da arte e dos prazeres do dia a dia. Mas o reencontro com um ator com quem brigou no passado e um mergulho no mundo das drogas vai sacudir a pasmaceira de seus dias, levando-o a um reencontro com as memórias da mãe, vivida por Penélope Cruz.

"Para assumir esse papel, tive que matar o Banderas que era, sem que isso fosse um suicídio profissional. Em 2011, quando Pedro e eu fizemos ‘A Pele que Habito", eu havia passado uns 20 anos sem trabalhar com ele, filmando em Hollywood, tendo estabelecido família nos Estados Unidos. Cheguei com uma bagagem hollywoodiana de que ele não precisava. O que ele precisava era de um Banderas que eu não imaginava ter ainda dentro de mim. Tive de recuperá-lo então. E foi lindo", disse Banderas, comovido.

"O maior desafio após uma libertação dessas é saber se você será capaz de reencontrar Pedro com essa ‘mochila’ de experiências afetivas de vida vazia. Acho que conseguimos aqui. Fazer 'Dor e Glória' foi uma das experiências mais ricas da minha vida".

Muitas sequências do filme caíram nas graças da crítica e viraram tema de conversa e até alvo de suspiros, dada a beleza plástica das imagens. A mais comentada é o beijo trocado entre Salvador e seu ex-namorado, Federico (o galã Leonardo Sbaraglia, de "Relatos Selvagens"). "Banderas é um mar aberto", elogiou Leonardo.

Indicado várias vezes à Palma de Ouro, Almodóvar jamais recebeu o cobiçado prêmio do Festival de Cannes. Em 2006, saiu do evento com o troféu de melhor roteiro por "Volver" e, em 1999, ganhou o de melhor direção por "Tudo sobre Minha Mãe", considerado sua obra-prima até agora.

Fonte: Gshow

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