Após 9 anos, STF derruba censura de notícias contra os Sarney

Jornal "O Estado de S. Paulo" estava proibido, desde 2009, de publicar reportagens

Foto: Reprodução/Internet Após 9 anos, STF derruba censura de notícias contra os Sarney
Após 9 anos, STF derruba censura de notícias contra os Sarney

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski derrubou a censura imposta pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal ao jornal O Estado de S. Paulo, que estava proibido, desde 2009, de publicar reportagens sobre a operação Faktor (anteriormente chamada de Boi Barrica).



Um dos alvos da operação da Polícia Federal era o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney (MDB). O jornal informou que ficou 3.327 dias sob censura.



"Verifico que a pretensão recursal [do periódico] merece prosperar", disse Lewandowski. A decisão é de quarta-feira (7).



Segundo ele, o plenário do STF garantiu "a "plena" liberdade de imprensa como categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia"".



O Tribunal de Justiça do DF havia censurado O Estado de S. Paulo sob a justificativa de que as reportagens seriam publicadas com base em informações que estavam em sigilo na Polícia Federal.



Ainda em 2009, Fernando Sarney havia desistido da ação. Mas o jornal decidiu prosseguir com o processo para que houvesse uma decisão de mérito.



O recurso do jornal chegou ao STF em 2014. Em maio deste ano, Lewandowski havia negado seguimento por questões formais -no entendimento do ministro, não cabia recurso extraordinário no caso.



Em análise no plenário virtual (por meio da internet) em setembro passado, a Segunda Turma decidiu, por 3 votos a 2, que o recurso deveria ser julgado no Supremo. Com base nessa decisão, Lewandowski retomou a análise do processo e derrubou a censura.



O jornal foi proibido de divulgar gravações feitas pela operação Boi Barrica que mostravam a relação do então presidente do Senado, José Sarney (MDB), com a contratação, por meio de atos secretos da Casa, de parentes e afilhados políticos.



A censura foi imposta após o jornal publicar conteúdo dessas gravações em uma série de reportagens sobre os atos secretos revelados pelo O Estado de S. Paulo.



O material rendeu o prêmio Esso de Reportagem daquele ano aos então repórteres do jornal Rodrigo Rangel, Leandro Colon (hoje diretor da Sucursal da Folha em Brasília), e Rosa Costa.

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