Caso Marielle: suspeito relata pressão de policiais para assumir crime

Depoimento do miliciano Orlando de Curicica foi divulgado nesta sexta-feira (7)

Foto: Reprodução/Internet Caso Marielle: suspeito relata pressão de policiais para assumir crime
Caso Marielle: suspeito relata pressão de policiais para assumir crime

O assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco e do motorista dela Anderson Gomes se arrasta há nove meses sem respostas. Nesta sexta-feira (7), o Jornal Nacional teve acesso exclusivo ao depoimento do miliciano Orlando Oliveira de Araújo, um dos principais suspeitos do crime. O Orlando de Curicica, como é conhecido, está preso desde 2017 por homicídio e posse ilegal de arma.

O depoimento de Orlando foi feito no dia 22 de agosto a dois procuradores federais. O miliciano disse aos agentes que estava sendo pressionado pela polícia do Rio para assumir a autoria do assassinato. Segundo Orlando, o responsável pela divisão de homicídios, Giniton Lages, o visitou no presídio de Bangu pedindo que ele admitisse ter matado Marielle a mando do vereador Marcelo siciliano, do PHS.

Em maio, o jornal "O Globo" informou que Orlando e Siciliano foram apontados por uma testemunha como mandantes do assassinato de Marielle.

"Fala que o cara te procurou, pediu para você matar ela, você não quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela", teria dito o delegado Giniton Lages, segundo Orlando.

No depoimento, Orlando disse que foi ameaçado após se recusar a assumir a autoria do crime. O miliciano informou ainda que eles ameaçaram colocar mais três ou quatro homicídios na sua conta e disseram que o transfeririam para um presídio federal. Em junho, Orlando deixou Bangu, no Rio, foi transferido Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Orlando disse aos agentes que o Giniton Lages chegou a prometer perdão judicial caso ele confessasse o crime. Segundo o miliciano, o delegado afirmou que foi ao encontro dele sonhando com isso, que, se ele aceitasse, seria o fim do caso Marielle.

Pelo tipo de arma e carro usados no crime, Orlando acredita que Marielle foi morta por um grupo de matadores. Segundo o miliciano, a polícia não investiga casos com estes matadores pois seus maiores clientes são contraventores do jogo do bicho, que pagam propina para a Divisão de Homicídios. No entanto, ele reforça que não sabe quem foi o mandante do crime.

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