Castelo do PI: "Ainda estamos estarrecidos", diz diretora de escola sobre estupros

O TVCanal13.Com foi até o município, onde atualmente a população tenta retomar a rotina, mas sob uma atmosfera de medo, choque e receio

Já foi o tempo em que o interior do país era pacato, que não havia praticamente, criminalidade e que dormia-se de janelas abertas, para sentir apenas a brisa. Após uma semana do estupro coletivo onde quatro jovens teriam sido violentadas e espancadas por cinco indivíduos, no Morro do Garrote, a cidade de Castelo do Piauí "desmoronou" com o trágico ocorrido.

O TVCanal13.Com foi até o município onde atualmente, a população tenta retomar a rotina, mas sob uma atmosfera de medo, choque e receio.

Imagem: Thamyres CostaEntrada da cidade de Castelo do Piauí(Imagem:Thamyres Costa)Entrada da cidade de Castelo do Piauí

Cidade após o crime

O município de aproximadamente 18.400 habitantes, localizado no Sertão Norte do estado, a 190 quilômetros de Teresina era tido como um local seguro e de pouca incidência de violência, até o dia 27 de maio de 2015, quando quatro menores e um adulto cometeriam um crime que mudaria para sempre a vida da cidade.
 
“Não esperava por essa fatalidade, ali é um ponto turístico, e as moças não estavam sabendo, e podia acontecer com qualquer um. Acho que de seis em seis meses deveriam trocar o efetivo da polícia militar. Aqui esse efetivo está defasado, não tem veículo para trabalhar e nem armamento e são poucos policiais, a polícia não tem culpa do que aconteceu, nem nós esperávamos que isso acontecesse, abalou todos em geral”, disse o morador Luciano Alves Bezerra.
 
Imagem: Thamyres CostaLuciano Alvez Bezerra(Imagem:Thamyres Costa)Luciano Alvez Bezerra

Segundo relatos, R. N. S. R., D. R. F., J. L. S. e I. C. M. F.  saíram por volta de 16h do dia 27 e contaram aos pais que iriam fazer um trabalho da escola. Em seguida, foram até o Morro do Garrote em duas motocicletas e ao chegarem lá foram ameaças, violentadas e abusadas. Os acusados que já se encontravam no local, são quatro menores e um adulto identificado por Adão de 40 anos, suspeito de comandar o crime bárbaro.

Imagem: Thamyres CostaVista de cima do Morro do Garrote(Imagem:Thamyres Costa)Vista de cima do Morro do Garrote
 
De acordo com a polícia, uma equipe teria ido ao local inicialmente em busca de Adão que estava sendo procurado por outros crimes na cidade, quando avistaram as motocicletas no pé do morro, e subiram para vasculhar o local, não logrando êxito retornaram a Delegacia. Quando foram avisados do desaparecimento das garotas pelos familiares, então retornaram ao Morro e encontraram as menores já violentadas e amarradas. Segundo informações, nesse momento a população já fazia o resgate das meninas.

Imagem: Thamyres CostaLugar onde as jovens foram jogadas(Imagem:Thamyres Costa)Lugar onde as jovens foram jogadas
Imagem: Thamyres CostaLocal onde as jovens foram encontradas(Imagem:Thamyres Costa)Local onde as jovens foram encontradas
 
Além de chocada com a situação, parte da população mostra-se contra a polícia e até culpa a instituição por negligência afirmando que os policiais não teriam feito buscas para encontrar as jovens.
 
“No momento o pessoal achou a moto das meninas, disseram eles que investigaram o terreno, mas nós estamos com suspeita de que não fizeram isso, então se daqui a 15 dias não trocarem os policiais, nós iremos invadir a delegacia”, enfatizou o motorista e morador Josenia da Silva Reis.

Imagem: Thamyres CostaJosenia da Silva Reis(Imagem:Thamyres Costa)Josenia da Silva Reis
 
Depois do crime as jovens foram socorridas por populares e encaminhadas à Teresina. Até o momento três delas encontram-se internadas no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), sendo que uma que estava em estado mais grave já saiu da UTI, e a última encontra-se em um hospital particular da capital.
 
A dor de um pai
Francisco Rufino tem 58 anos, é lavrador e pai de R.N.S.R , em entrevista ao TVCanal13.com, ele conta aparentemente ainda em choque que recebeu a notícia através de um dos seus filhos que avistou a motocicleta da irmã sendo levada pela viatura da polícia.
 
“Minha mulher falou com ela ás 16 horas, ela ia fazer um trabalho do colégio com as duas meninas, porque a gente nem sabia que a outra iria, e ela disse que quando terminassem o trabalho iriam tirar umas fotos, mas ela já tinha costume de ir lá, porque é um ponto que todo mundo vai, e gente jovem tem aquela coisa da curiosidade e não esperava que eles estivessem lá”, relatou. 
 
Imagem: Thamyres CostaFrancisco Rufino(Imagem:Thamyres Costa)Francisco Rufino
 
Emocionado o pai ainda afirma: “Hoje você cria uma família com responsabilidade, trabalhando no interior e nos vermos num estado desse não é bom, você cria um filho no meio da rua e quando acontece você já até espera, mas quando você cria quatro filhos com responsabilidade e quando acontece um caso desse você não está esperando. Eu só espero que seja feita justiça”,
 
“Uma coisa dessas todo mundo sente”
Patricia e Manuel Isaias são pais de I.V.I., um dos menores suspeitos de terem participado do crime envolvendo as quatro jovens. Levando uma vida humilde em casa no centro de Castelo e cuidando de mais duas crianças, depois do crime passaram a ser criticados por parte da população local.
 
“Uma coisa dessas todo mundo sente, sente até as pequenas coisas, quanto mais uma coisa terrível dessa que aconteceu, a gente sente, não podemos é dar uma solução rápida, mas espero que seja resolvido da melhor forma possível com a Justiça”, afirmou o aposentado.

Imagem: Thamyres CostaManoel Isaias(Imagem:Thamyres Costa)Manoel Isaias
 
A mãe do menor disse sentir tanto quanto a família das garotas, e revelou que deseja que a população também entenda seu lado como mãe e como ser humano.
 
 “Está existindo um preconceito com a gente que somos pai e mãe, mas é uma coisa que eu não tenho culpa, eu não mandei ele fazer nenhum ato desses, eu sinto pelo lado das famílias, só que a população não vê o meu lado como mãe. Será que eles acham que estou alegre e satisfeita por ele ter feito isso? Não estou! ”, enfatizou Patricia.
 
Escola busca reestruturação
A equipe do TvCanal13.Com foi até a Unidade Escolar Francisco Sales Martins onde as quatro garotas estudavam, sendo que três cursam o 3º ano e a outra faz o 1º ano do ensino médio.
 
Imagem: Thamyres CostaUnidade Escolar Francisco Sales Martins(Imagem:Thamyres Costa)Unidade Escolar Francisco Sales Martins

“Para nós foi um desespero como foi para toda a população de Castelo, nós ficamos muito abalados, elas são alunas exemplares, nunca tivemos problemas com nenhuma delas, ainda hoje estamos estarrecidos pela situação, eram meninas alegres e que tinham uma vida toda pela frente, mas que infelizmente com esse acontecimento trouxe muita tristeza com todos nós”, disse Fátima Damasceno, uma das diretoras da escola.

Imagem: Thamyres CostaFátima Damasceno(Imagem:Thamyres Costa)Fátima Damasceno
 
Questionada sobre o trabalho que supostamente as jovens teriam ido fazer no Morro do Garrote, a diretora nega a informação e afirma que nenhum dos professores passou quaisquer trabalhos relacionados.  “Essa informação não procede, nós conversamos com todos os professores quando soubemos do acontecido e nenhum passou trabalho. É um costume mesmo das adolescentes daqui irem tirar foto lá, mas não foi um trabalho da escola”, esclareceu.
 
De acordo com a diretora, no dia seguinte ao acontecimento  a escola não teve condições de ter aulas e o corpo de alunos e professores da escola juntamente com a população reuniram-se em uma corrente de oração em solidariedade as garotas.
 
Sobre o possível retorno das garotas para a Unidade Escolar, Fátima afirmou que a escola já está se estruturando para receber as meninas com naturalidade e dar todo o suporte dos quais necessitarem.
 
 “Primeiramente antes delas retornarem, a escola pretende trazer palestras para nossos alunos com psicólogos para conscientizar eles, por que eles vão ter aquela ansiedade de saber detalhes de como aconteceu e isso não é bom, então tentaremos trata-las de forma normal, é isso que tem que acontecer, não podemos diferenciá-los dos outros para não aumentar ainda mais a lembrança desse acontecimento na vida delas”, completou.
 
Imagem: Thamyres CostaEstudantes mandam recado para as amigas(Imagem:Thamyres Costa)Estudantes mandam recado para as amigas

Inquérito deve ser concluído em poucos dias
Para o delegado responsável pela cidade de Castelo, Laércio Evangelista, não há dúvidas de que o suspeito Adão participou da ação criminosa.
 
“Os quatro menores apreendidos confirmaram desse acusado maior de idade, o Adão, e inclusive já temos o depoimento de várias testemunhas que estiveram com ele no dia do crime em Castelo, e com isso ele será indiciado e estamos nesse momento reunindo o maior número de provas que incriminem ele e o levem ao local do crime”, explicou.

Imagem: Thamyres CostaDelegado Laércio Evangelista(Imagem:Thamyres Costa)Delegado Laércio Evangelista
 
Segundo o delegado, o inquérito deverá ser concluído em alguns dias para que possa ser encaminhado para o poder judiciário para o pleno julgamento.
 
“Nós conseguimos já efetuar a prisão de todos os cinco envolvidos e vamos passar agora para o processo de investigação, já está praticamente concluído o inquérito e estamos dependendo apenas de alguns laudos que serão encaminhados para o Instituto de Criminalística de Teresina e acredito que até sexta-feira terei em mãos todos esses laudos e será feito a conclusão do inquérito e encaminhado para o poder judiciário já para o julgamento definitivo dos acusados”, finalizou Laércio. 

Colaboração Portal Marvão
 

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