Cientistas descobrem lagarto com quatro olhos

Fóssil de lagarto viveu há 49 milhões de anos no estado de Wyoming, EUA

Foto: Anne Petersen/Flickr/Creative Commons Fóssil de um lagarto que viveu há 49 milhões de anos
Fóssil de um lagarto que viveu há 49 milhões de anos

Shiva, um dos principais deuses do hinduísmo, é razoavelmente parecido com um ser humano comum. A diferença é seu terceiro olho vertical, bem no meio da testa. Também tem os quatro braços, é claro – mas o assunto anatômico do dia é a visão, então vamos com calma.



Acontece que essa história de ficar com um olho no gato, outro no peixe e um terceiro só no caso é bem mais antiga que as religiões asiáticas – e que o próprio ser humano. Surgiu com répteis como os lagartos e anfíbios como as rãs. Entre o par de olhos tradicional, esses animais têm um minúsculo orifício fotossensível que capta variações de luz ao longo do dia – dando uma mãozinha para o cérebro na regulação do relógio biológico.



A estrutura, chamada “olho parietal”, não funciona usando o mesmo mecanismo bioquímico de um olho comum. Ela não forma imagens nítidas, e fica conectada diretamente à glândula pineal – um pequeno órgão no interior do crânio que libera substâncias responsáveis, entre outras coisas, pelo ciclo do sono. Os terapsídeos, ancestrais extintos dos mamíferos, também vinham de fábrica equipados com um olho auxiliar desses. Mas a seleção natural o tirou de nós. Pena.



O negócio é que, se dá para tirar um olho, também dá para instalar mais um, certo? Certíssimo. Paleontólogos da Universidade Yale analisaram o fóssil de um lagarto que viveu há 49 milhões de anos no estado de Wyoming, onde fica o famoso parque de Yellowstone, nos EUA. E descobriram que, além de um olho para a glândula pineal em si, ele também tinha um olho só para um anexo da glândula chamado “parapineal” – totalizando quatro estruturas de visão no crânio.

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