Comerciante mantém biblioteca dentro de mercadinho na zona Norte de THE

Seu Reis tem criou dentro de seu mercadinho uma mini-biblioteca e a mantém através de doações de livros em THE

Francisco Tenório dos Reis, piauiense, casado, dois filhos, comerciante, mora há 32 anos no mesmo local, conhecido no bairro onde mora como “Seu Reis”,e pela descrição uma pessoa normal, mas o Seu Reis, residente no bairro Acarape, zona Norte de Teresina, tem algo que o faz diferente.

Imagem: Henrique Santos Seu Reis (Imagem:Henrique Santos )Seu Reis 
 
Palmeirense de coração, seu Reis tem um projeto encantador, ele criou dentro do seu mercadinho uma mini-biblioteca e a mantém através de doações de livros.
 
Há 15 anos seu filho mais velho lhe deu um livro (O Príncipe - Maquiavel) e pediu para que o ler-se, nas palavras de Seu Reis, que conta como começou o projeto. “Esse pensamento sempre começa por uma coisa primeira e o meu começo foi assim, um dia meu filho me mostrou um o Livro de Maquiavel, O Príncipe, e eu comecei a ler, e fui lendo e ele disse: Pai tem vários livros aí, vai lendo esses livros. Então eu comecei a ler cada vez mais. Aí despertou aquela curiosidade de ler aqueles livros e então eles foram trazendo livros para mim ou mesmo mandando e assim surgiu isso aqui”, diz ele acenando para as estantes de livros.  

Imagem: Henrique Santos Mini-biblioteca (Imagem:Henrique Santos )Mini-biblioteca 
 
Questionado sobre qual era o objetivo inicial com o projeto, seu Reis esclarece,  “Meu primeiro objetivo era ler e depois que eu passei a ler bastante aquilo me clareou, me trouxe outra visão, porque é fascinante e quando a pessoa tem o interesse pela leitura para ela até conversar se torna muito mais fácil”, diz. 
 
Apaixonado pelo Palmeiras, ele tem vários livros que contam a história do time “aqui são minhas paixões”,  diz ele ao pegar o livro que conta a história do time, “Aqui é a história daquele time que fascinou o Brasil”.

Imagem: Henrique Santos Palmeirense de coração (Imagem:Henrique Santos )
Palmeirense de coração 
 
Atualmente são duas estantes cheias de livros e mais alguns espalhados pelo comércio. “Hoje está assim, mas no início era só uma estante, então eu ampliei e coloquei essa outra e encheu e ainda tem aqueles que farei doação para a instituição", relata.

Imagem: Henrique Santos Livros para a doação da Fundação Benedito Reis (Imagem:Henrique Santos )Livros para a doação da Fundação Benedito Reis 
 
Seu Reis além de manter a biblioteca abastecida, também faz doações de livros para uma Fundação em Lagoa do Sítio, a Fundação Benedito Reis. “Uma vez eu recebi uma grande doação de uma família aqui do lado, os filhos deles estudaram e se formaram e então perguntaram se eu queria e era um bagageiro cheio, esses eu doei para nossa fundação”, esclarece.

Imagem: Henrique Santos Seu Reis (Imagem:Henrique Santos )Seu Reis 
 
Sobre como mantém a mini-biblioteca tão abastecida, ele explica: “Mantenho aqui através de doações e essas doações vem de uns amigos aqui de Teresina que através de meu filho que mora em Brasília me doam alguns desses livros, e por eles recebo muitas doações e ainda os que recebi de uma grande doação da vizinha e os outros, são meus filhos que mandam, de vez enquanto chega três, quatro, cinco livros, eles me incentivam muito”, afirma sorridente.

Imagem: Henrique Santos Seu Reis(Imagem:Henrique Santos )Seu Reis
 
Ao falar dos filhos, ele comenta, “O mais velho me incentiva muito, um dia ele viu uma biblioteca numa parada de ônibus em Brasília e ele ficou fascinado com aquele negócio e disse, papai existe aquilo lá, porque você não faz isso aqui, “aí” eu disse vou fazer e assim está”, disse.
 
Seu Reis explica que os livros estão disponíveis para quem quiser chegar, pegar e ler no mercadinho, e ainda que podem levar para casa e trazerem quando quiserem.
 
Sobre os leitores que sempre pegam livros no mercadinho ele cita, “Eu tenho uma vizinha que sempre tem um livro meu com ela, ela mora aqui pertinho, essa semana mesmo ela trouxe dois e levou mais dois para ler”, explica.
 
Seu Reis diz que o local é pouco procurado, “Eu fico pensando assim, poxa o pessoal daqui chega e olha e diz assim ‘caramba tanto livro’, mas nem pegar para olhar o que tem no título, nem olhar o título eles fazem”. Segundo ele existe uma falta de interesse por partes das pessoas, “Às vezes olham e perguntam se eu vendo livro e eu sempre digo, ‘não, aqui é só pra gente ler’.”
 
Durante toda a entrevista ao tvcanal13.com, além de contar sua historia, seu Reis ainda relata os vários livros que leu nesses 15 anos, desde o início do projeto.

Imagem: Henrique Santos Seu Reis (Imagem:Henrique Santos )Seu Reis 
 
Seu acervo é bem rico, tem desde bibliografias a livros escolares e ao ser questionado sobre se a sua iniciativa incentivaria a educação ele diz, “Penso muito nisso, mas é a tal coisa, eu sempre fico imaginando: Poxa!  tanto livro e num chega ninguém, um pai, uma criança, um estudante e pede pra ver um livro, ver uma historia como o ‘Trem noturno para Lisboa’, ou mesmo uma matemática, mais isso é difícil, parece que o estudante está ligado naquilo que o professor passa na escola e o resto é só televisão e internet”, diz pensativo.
 
“Eu não sei se a minha iniciativa aqui leva alguma coisa, por mim eu estaria ajudando mais pessoas, tem tantos projetos que ajudam as pessoas a mudarem de vida e se cada um fizer a sua parte, vai ser lindo”.

Imagem: Henrique Santos Mini-biblioteca (Imagem:Henrique Santos )Mini-biblioteca 
 
Questionado sobre o que sente quando alguém chega e pede um livro emprestado, ele é enfático, “Quando alguém chega e pede pra levar eu me prontifico na mesma hora e digo que pode levar para mim é uma coisa maravilhosa e quando chega alguém aqui e lê um livro que eu não pude ler e como se eu estivesse lendo”, afirma.

Imagem: Henrique Santos Mini-biblioteca (Imagem:Henrique Santos )Mini-biblioteca 
 
 
 

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