Coragem supera confusão em nova vitória fora do Santos, que prova ter time para sonhar

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Foto: Reprodução \ Internet Victor Ferraz ouve instruções de Sampaoli durante a partida com o Botafogo
Victor Ferraz ouve instruções de Sampaoli durante a partida com o Botafogo

Foi um pouco confuso – um oferecimento de Jorge Sampaoli –, mas o Santos venceu o Botafogo por 1 a 0, domingo, graças à coragem enraizada na formação desta equipe – outro oferecimento do técnico argentino.

O resultado no Rio de Janeiro, pela 11ª rodada do Brasileiro, levou o Santos aos 26 pontos, igualando o Palmeiras, que ainda tem melhor saldo de gols (14 a 7). Foi a segunda vitória seguida por 1 a 0 fora de casa (na semana passada havia sido contra o Bahia).

São campanhas espetaculares as de Palmeiras e Santos: os 78,8% de aproveitamento representariam um campeão com 89 pontos, inédito no torneio com 20 clubes (desde 2006) que tem como recorde os 81 pontos (71%) do Corinthians de 2015. O Cruzeiro, em 2003, com 24 times, alcançou 72%.

É improvável que esse patamar seja mantido até o fim da temporada. Mas o Santos se coloca como o principal rival do Palmeiras na luta pela taça, e quando teve a chance de encostar (os palmeirenses perderam do Ceará, sábado), não vacilou.

Mesmo com os percalços do jogo no Rio.

Foto: Reprodução InternetMarinho comemora gol no Botafogo
Marinho comemora gol no Botafogo

Quando o primeiro tempo acabou, e Lucas Veríssimo já tinha um cartão amarelo, era visível o risco de o zagueiro ser expulso – ele já tinha se livrado disso após uma falta no fim da etapa inicial.

Mesmo assim, Sampaoli manteve o jogador em campo e preferiu trocar Uribe (nulo) por Marinho (se tornaria herói).

Quando Lucas Veríssimo recebeu cartão vermelho, Sampaoli pecou pela ansiedade. Logo de cara, trocou Jean Mota por Victor Ferraz. Manteve um ataque com três atletas, desmontou o meio. Poucos minutos depois, Sasha saiu e Felipe Jonatan entrou. Desfez o ataque, remontou o meio. Não tinha dado nem tempo de o Botafogo esboçar o que faria com um jogador a mais. Eram 10 minutos do segundo tempo.

No fim, funcionou. Mesmo com um menos, o Santos se manteve ofensivo – e contou com um rival com sérios problemas no ataque para isso. O "minimíssil aleatório" de Marinho, quando Gilson, do Botafogo, já tinha sido expulso também, premiou essa postura.

Foto: Reprodução InternetFormação do Santos no começo da partida contra o Botafogo
Formação do Santos no começo da partida contra o Botafogo

O jogo

O Santos ficou no campo de ataque em boa parte do primeiro tempo. Coube a Sasha, na direita, e Soteldo, na esquerda, se aproximarem da área nas jogadas de ataque. Uribe, no centro, porém, esteve em outra página no primeiro tempo.

Bolas cruzavam a área do Botafogo de um lado para o outro, sem que alguém finalizasse a jogada com mais perigo. Ou simplesmente finalizasse.

Lá atrás, a defesa com três zagueiros (sendo Lucas Veríssimo improvisado na lateral direita) segurava os donos da casa sem grandes dificuldades. O Botafogo, quando se aproximava do goleiro rival, causava pouca aflição.

O esquema ficou sob risco por causa dos cartões amarelos: antes do intervalo, Gustavo Henrique e Lucas Veríssimo já estavam pendurados. O primeiro recebeu numa falta no meio de campo, uma decisão questionável do árbitro Heber Roberto Lopes – não dá nem pra cravar que foi falta. O segundo, na tentativa de corrigir um erro ao recuar uma bola de peito que o obrigou a derrubar Erik.

Foto: Reprodução InternetLucas Veríssimo é advertido com o primeiro amarelo
Lucas Veríssimo é advertido com o primeiro amarelo

Uribe não voltou do intervalo. Jorge Sampaoli colocou Marinho em campo, na posição de Sasha, que foi para o meio do ataque.

Com cinco minutos no segundo tempo, porém, Veríssimo derrubou Gilson e levou o segundo amarelo.

E Sampaoli mudou tudo, inclusive o que tinha acabado de mudar.

Assim que Lucas Veríssimo deixou o campo, Victor Ferraz entrou no lugar de Jean Mota. O Santos ficou com três atacantes, o meio de campo mais vazio. Aos nove minutos, desfez: Sasha foi substituído por Felipe Jonatan.

Foto: Reprodução InternetVictor Ferraz ouve instruções de Sampaoli durante a partida com o Botafogo
Victor Ferraz ouve instruções de Sampaoli durante a partida com o Botafogo

 

O Santos passou a jogar com quatro defensores (Ferraz, Aguilar, Gustavo Henrique e Jorge), quatro meias (Marinho, Sánchez, Pituca e Felipe Jonatan) e Soteldo na frente – Marinho se aproximava ao atacar.

Aí Heber Roberto Lopes resolveu igualar o número de jogadores em campo. O Santos partiu em contra-ataque, Marinho cortou Gilson e escorregou, a um passo da área. O árbitro marcou falta e deu amarelo ao botafoguense, o segundo dele, que foi expulso, aos 25 minutos.

Foram cerca de 20 minutos com um jogador a mais, e o Botafogo não finalizou uma única vez.

O Santos, mais atrevido mesmo enquanto esteve com um menos, teve a coragem recompensada com um golaço. Aos 29 minutos, Marinho limpou para o meio e bateu de esquerda, de longe, no ângulo de Gatito Fernández. Um "minimíssil aleatório", como definiu o próprio Marinho.

O Botafogo buscou o empate, deixou muito espaço para o Santos contra-atacar. Chances para ampliar se acumularam: Soteldo, Felipe Jonatan e Marinho desperdiçaram oportunidades claras, deixando o santista aflito.

No fim, porém, a defesa, que levou sete gols em 11 jogos (quatro deles naquela derrota maluca para o Palmeiras), segurou o Botafogo, decretando a segunda vitória seguida por 1 a 0 fora de casa (semana passada havia sido contra o Bahia).

Foto: Reprodução InternetFormação do Santos contra o Botafogo no final da partida
Formação do Santos contra o Botafogo no final da partida

O que vem por aí

Agora, enquanto o Palmeiras sofre com longas e tensas viagens de avião e com um mata-mata de Libertadores no meio da semana – enfrenta o Godoy Cruz na terça, na Argentina –, Sampaoli terá a semana para preparar o Santos para o confronto com o Avaí, que está na zona de rebaixamento, no domingo, na Vila Belmiro. E na sequência, também em casa, o Peixe terá o Goiás, enquanto o Palmeiras enfrentará o Corinthians em Itaquera. Chance de ouro para o time de Sampaoli tomar de vez a liderança do Brasileirão.

Fonte: Globo Esporte

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