Cuidado no atendimento às crianças com microcefalia será partilhado entre Ceir e os municípios piaui

O prazo de três anos determinado para acompanhamento das crianças diagnosticadas com essa síndrome congênita

Após três anos do surto de casos de má formação associado ao zika vírus, ocorrido em 2015, profissionais de 100 municípios do Piauí participam, nesta terça-feira (11), no auditório da Associação Piauiense do Munícios (APPM), do encerramento do Laboratório de Formação do Trabalhador em Saúde no Contexto do Zika Vírus (Zikalab), uma parceria entre o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (IPADS), a empresa Johnson & Johnson e o Ministério da Saúde.

O prazo de três anos determinado para acompanhamento das crianças diagnosticadas com essa síndrome congênita foi uma diretriz do Ministério da Saúde visando à estimulação precoce dos bebês com um atendimento humanizado. Hoje, esse trabalho é realizado no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), como referência no modelo de tratamento e acompanhamento dessas crianças.

Passados os três anos, o Ministério da Saúde busca agora a ampliação desse atendimento para os municípios, já que existe a necessidade de uma maior inclusão dessas crianças em suas comunidades, buscando a integração da atenção à saúde com a família e à escola. No evento, as equipes de saúde estão sendo capacitadas como multiplicadores nos seus municípios, recebendo orientação sobre o processo assistencial de pacientes com zika vírus, com foco no ciclo materno-infantil, com abordagem desde o diagnóstico dos casos e estimulação do recém-nascido. Além da microcefalia, a equipe multiprofissional do Ceir já identificou outras malformações, como espasticidade, condição caracterizada pelo enrijecimento da musculatura; problemas de visão e audição.

“Na primeira fase do projeto, cada profissional recebeu treinamento sobre epidemiologia, saneamento, intervenção precoce de crianças com microcefalia, entre outros assuntos. Hoje, esses profissionais estão mostrando as atividades que desenvolveram nos seus municípios atuando como multiplicadores dessas informações”, explica Maria Andrea Marques, gerente de Reabilitação Intelectual do Ceir e uma das facilitadoras do Zikalab.

Na primeira fase, o projeto capacitou mais de sete mil profissionais de seis diferentes estados no Brasil. Nesta segunda fase, atuou em cinco regiões estratégicas no Nordeste. Ao todo, foram três dias de curso com dois módulos em cada dia. Os profissionais receberam a capacitação através de aulas expositivas e informações sobre o serviço ofertado pelo Centro.

Segundo a gerente, na prática, a formação teve o objetivo de intensificar a ação integrada entre o Ceir e os Núcleos Apoio à Saúde da Família. “A intenção é que os esforços de cuidar das crianças com microcefalia e famílias seja partilhada com Ceir e os Nasfs dos municípios, além de reorganizar a rede assistencial para essas famílias em todo o Estado”, explica Maria Andreia.

O encerramento da capacitação do Zikalab contou com a presença da presidente do Cosems-PI, Leopoldina Cipriano; do secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto; do superintendente multiprofissional do Ceir, Aderson Luz, e secretários de saúde dos municípios.

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