Curado de tumor, Oscar só quer viajar e corrigir apelido: "Mão Santa é o cacete. É Mão Treinada"

Membro do Hall da Fama do basquete, Oscar Schmidt relembra conquistas e fala sobre luta contra o câncer; neste sábado, participa do programa Grande Círculo no SporTV

Foto: Reprodução / Web Oscar Schmidt
Oscar Schmidt

Aos 61 anos, Oscar Schmidt sabe enumerar de cor os feitos de sua carreira esportiva. Foram 49.737 pontos na carreira, dos quais mais de mil em Jogos Olímpicos. Título dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis sobre os norte-americanos. Título mundial de clubes. Eleição para os dois Hall da Fama do basquete. A conquista mais importante de sua vida, porém, veio há pouco. Uma vitória contra um inimigo invisível a olho nu, mas que podia ameaçá-lo mais que qualquer outro adversário.

Após uma luta desde 2011 contra um câncer no cérebro, o Mão Santa do basquete brasileiro afirmou estar curado. Por precaução, ainda toma medicamentos e passa por tratamento mensal, mas clinicamente está liberado.

- O meu médico falou isso para mim. Que, nesse momento, eu estou curado. Só não quero parar de tomar o remédio para isso não voltar - afirmou em entrevista ao GloboEsporte.com. 

Oscar passou por duas cirurgias para controlar retirar um tumor de oito centímetros e conter o avanço da doença. As marcas das intervenções estão nítidas para quem consegue vê-lo sentado - em pé seria impossível por conta de seus 2,05m. As incisões vão de uma orelha a outra, cortando sua cabeça.

No fim, são apenas marcas, porque o ex-jogador, aposentado desde 2004, resolveu celebrar a vida.

- Levo no alto astral. Por que baixo astral? Eu estou vivendo. Tem coisa mais preciosa do que viver? Que eu saiba, não existe - disse o ex-jogador, que foi a cinco Olimpíadas, a última em Atlanta 1996.

O cestinha encarou tratamentos insistentes de quimioterapia ao longo desses últimos oito anos. De vez em quando, ainda passa por alguma sessão por vontade própria, basicamente para inibir o ressurgimento da doença.

- Eu morria de medo de morrer. Morria de medo. Hoje não tenho medo. Aquilo que eu fazia pouco hoje eu faço muito. Eu falo pro dono da padaria: o senhor trabalhando aí, até agora? Por que não vai viajar? Fica com esse monte de dinheiro. Você ai morrer e não vai usar (risos) - divertiu-se.

A entrevista com o ícone do basquete brasileiro ocorreu no ginásio do Clube Sírio, na zona sul da capital paulista, agremiação que Oscar defendeu por alguns anos. Foi pelo Sírio que ele conquistou um dos maiores títulos de sua carreira: o Mundial de clubes de 1979, com uma vitória histórica sobre o Bosna, de Sarajevo, por 100 a 98 na final - com direito a invasão da quadra do ginásio do Ibirapuera.

- Esse time do sírio era melhor do que a seleção brasileira. Porque nós tínhamos a seleção brasileira e mais dois americanos - contou, aos risos.

Foto: Reprodução / WebOscar Schmidt
Oscar Schmidt

Clinicamente curado da doença e sorridente, Oscar lamenta poucas coisas. Entrega que sua maior decepção foi não ter jogado na NBA e não ter uma medalha de Mundial e Olimpíada. E, por último, mas não menos importante, ele faz questão de reavaliar um apelido que se tornou seu símbolo.

- Mão Santa é o cacete! É mão treinada. Os caras não sabem o que eu treinei. Ah, milagre! O brasileiro adora milagre, não é? Tudo é milagre! Se eu fosse jogador de futebol seria um excelente batedor de falta. Meu forte era treinar - bronqueou.

A convite da reportagem, ele acompanha depoimentos de Anderson Varejão, que o chama de ídolo, e de Hortência, que se refere a ele carinhosamente como "menino", e se emociona com a jovialidade de um menino de 61 anos.

- São lindos, lindos. Eu me sinto feliz. Isso aí não tem preço. Você não tem como comprar esse tipo de palavra. Isso se chama felicidade.

Fonte: Globo Esporte

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