Em discurso no Mercosul, Bolsonaro diz que é preciso 'zelo' nas indicações para embaixadas

Jair Bolsonaro, que pretende indicar o filho para assumir embaixada do Brasil nos EUA, chegou à Argentina nesta quarta-feira (17) para participar do encontro de presidentes do Mercosul.

Foto: Reprodução \ Web O presidente da República, Jair Bolsonaro, cumprimenta o embaixador do Brasil na Argentina, Sérgio França Danese, ao desembarcar no aeroporto em Santa Fé para encontro dos presidentes do Mercosul
O presidente da República, Jair Bolsonaro, cumprimenta o embaixador do Brasil na Argentina, Sérgio França Danese, ao desembarcar no aeroporto em Santa Fé para encontro dos presidentes do Mercosul

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (17) durante discurso na 54ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na cidade de Santa Fé, na Argentina, que o bloco deve se concentrar em três áreas, sendo uma delas as negociações externas, com "zelo nas indicações das embaixadas".

Segundo o presidente, está definido que seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-PS) será indicado para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Para assumir o posto em Washington, Eduardo terá de ser aprovado pelo Senado e precisará renunciar ao mandato parlamentar.

"Compartilhamos aqui entre nós a visão de que para cumprir o seu papel de um motor do desenvolvimento, o nosso bloco deve concentrar-se em três áreas: As negociações externas, aí com o grande apoio do meu ministro das Relações Exteriores, no zelo das indicações das embaixadas, também sem mais o viés ideológico do passado, e quem sabe um grande embaixador nos EUA brevemente. Então, focamos nisso, na nossa tarifa externa comum, em nossa reforma institucional", declarou o presidente.

A legislação permite ao presidente de República indicar embaixadores que não são diplomatas para chefiar embaixadas no exterior. Segundo Bolsonaro, entre as etapas que faltam para oficializar a nomeação, está uma consulta que deve ser feita ao governo norte-americano.

Mercosul

Esta é a primeira participação de Bolsonaro em uma reunião de cúpula do grupo. O Brasil assumiu, neste encontro, o comando rotativo do Mercosul pelos próximos seis meses.

Durante o discurso, Bolsonaro destacou que o Mercosul deve dedicar especial atenção às negociações externas, na revisão da tarefa externa comum e na reforma institucional do bloco sul-americano.

"Quero aproveitar a ocasião para afirmar o compromisso do meu governo com a modernização e abertura do nosso bloco, fazendo dele instrumento de comércio com o mundo sem o viés ideológico, que eu tanto critiquei enquanto parlamentar", disse.

Bolsonaro defendeu um Mercosul mais "enxuto" e "dinâmico" e citou como benefício que o bloco pode dar aos cidadãos o acordo assinado para isenção de roaming internacional nas chamadas em serviços de telecomunicação entre os países do grupo.

"Realmente, não tinha cabimento, quem estava na faixa de fronteira, ser taxado mais uma vez pelo uso do seu celular", disse Bolsonaro.

Roaming internacional

O presidente comemorou acordo assinado entre Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai que prevê o fim da cobrança de "roaming" internacional no bloco do Mercosul.

"Aproveito para felicitar o presidente Macri [da Argentina] pelo importante acordo que assinamos nesta cúpula de eliminação da cobrança de uso de telefones celulares para quem circula entre os nossos países", disse Bolsonaro.

O acordo já havia sido anunciado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e foi confirmado durante a Cúpula do bloco econômico.

Acordos comerciais e união aduaneira

Bolsonaro afirmou que, à frente da presidência do Mercosul nos próximos seis meses, avançará em negociações por outros acordos comerciais e deu como exemplo vínculos com Canadá, Singapura, Coreia do Sul e Associação Europeia de Livre Comércio.

O presidente defendeu avanços relacionados a compras governamentais, comércio de serviço e regras sanitárias. Bolsonaro defendeu uma união aduaneira "completa e acabada" com a inclusão de automóveis e açúcar.

"Atuaremos de igual maneira pelo fim das repetidas prorrogações dos regimes especiais. Ou as tarifas são comuns ou não são. Não queremos uma união aduaneira pela metade", discursou.

União Europeia

A reunião de chefes de Estado do Mercosul, na Argentina, foi a primeira desde o anúncio do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia.

Em discussão há duas décadas, o acordo está em fase de revisão técnica e jurídica e, para entrar em vigor, precisará ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos.

"Trata-se, então, da pedra fundamental de toda uma nova arquitetura de acordos de livre-comércio, o primeiro passo rumo à abertura do Mercosul para o mundo", afirmou o presidente.

Bolsonaro afirmou que o acordo trará benefícios para os países envolvidos e creditou parte do sucesso nas negociações aos esforços do governo do ex-presidente Michel Temer no Brasil.

O presidente lembrou, ainda, que o anúncio foi feito em junho, enquanto ocorria reunião do G20 no Japão, e elogia a atuação de Macri, à frente do Mercosul, nas conversas. "O Macri foi 10 para todos nós lá em Osaka", disse Bolsonaro.

Venezuela

Bolsonaro abordou a situação da Venezuela durante o discurso. O país está suspendo do bloco e parte da comunidade internacional não reconhece o governo de Nicolás Maduro, dando apoio ao líder opositor Juan Guiadó.

"Não queremos em nem mais um país aqui da América do Sul o que infelizmente vem acontecendo com a nossa Venezuela. A gente pede a Deus que nos dê força e inteligência e que o destino da Venezuela seja o nosso hoje em dia: democracia, liberdade e prosperidade", afirmou Bolsonaro.

O presidente afirmou que não há espaço na América do Sul para regimes autoritários.

Fonte: G1

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