Ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia diz que se sentiu ameaçada por Trump

Em depoimento à Câmara dos Deputados dos EUA, Marie Yovanovitch afirma que ficou preocupada ao saber que Donald Trump disse ao presidente ucraniano que ela 'terá de encarar algumas coisas'.

Foto: Reprodução \ Web Marie Yovanovitch, ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia, chega para prestar depoimento em Washington em 11 de outubro
Marie Yovanovitch, ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia, chega para prestar depoimento em Washington em 11 de outubro

A ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia Marie Yovanovitch afirmou que se sentiu ameaçada pelo presidente Donald Trump por ele dizer ao ucraniano Volodymyr Zelensky que ela "deverá encarar algumas coisas". O telefonema entre os dois governantes se tornou o estopim para o pedido de impeachment contra o republicano.

As declarações de Yovanovitch à Câmara dos EUA divulgadas nesta segunda-feira (4) eram aguardadas porque Trump e Zelensky reclamaram da ex-embaixadora durante o telefonema por suposto envolvimento com governos anteriores da Ucrânia acusados de corrupção.

De acordo com a transcrição oficial do telefonema, Trump chamou Yovanovitch de "má notícia" que lidava com outras "más notícias" da Ucrânia. Zelensky, em seguida, disse concordar "100%" com a afirmação do norte-americano.

"A atitude dela comigo era longe de ser a melhor porque ela admirava o presidente anterior e estava ao lado dele. Ela não me aceitaria como o novo presidente", disse o presidente da Ucrânia.

Em seguida, Trump disse a Zelensky: "Bem, ela [Yovanovitch] vai ter de encarar algumas coisas".

Deputados questionaram a ex-embaixadora sobre como ela interpretava as declarações de Trump. "Eu não sei o que isso significa. Fiquei muito preocupada. Ainda estou", respondeu Yovanovitch durante depoimento à Câmara.

Envolvimento de Giuliani

Em depoimento, Yovanovitch também afirmou que sabia do interesse do advogado de Trump, Rudolph Giuliani, em investigar o possível elo entre o ex-vice-presidente Joe Biden e a companhia de gás Burisma.

Trump retirou Yovanovitch do comando da embaixada norte-americana na Ucrânia em maio. À época, Giuliani e o presidente insistiam a autoridades ucranianas que investigassem envolvimento de Biden e do filho dele, Hunter, no escândalo de corrupção que atingiu a empresa de gás.

Segundo a diplomata, Giuliani procurava algum fato que poderia causar danos à candidatura de Biden à Casa Branca – ele lidera atualmente as pesquisas de intenção de voto nas primárias do Partido Democrata.

Yovanovitch também disse que recebeu, em abril – portanto antes de ser retirada da embaixada –, um telefonema de uma outra funcionária da chancelaria norte-americana para que ela retornasse a Washington. "É por sua segurança", disse a servidora.

Fonte: G1

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