Ex-zelador vira assistente social no mesmo hospital e relata trabalho na linha de frente da Covid-19, em Fortaleza

Cleonildo Santos Gomes trabalha há mais de um ano como assistente social. Ele relata que hoje o cenário é o mais desafiador e preocupante. Profissionais da saúde estão esgotados.
Por Redação Verdes Campos Sat 16 de Março de 2021 às 11:25

Foto: Reprodução/ Ascom Ex-zelador vira assistente social no mesmo hospital e relata trabalho na linha de frente da Covid-19, em Fortaleza.
Ex-zelador vira assistente social no mesmo hospital e relata trabalho na linha de frente da Covid-19, em Fortaleza.

O ex-zelador Cleonildo Santos Gomes Júnior, de 27 anos, superou as adversidades do caminho e, há um pouco mais de dois anos, se tornou bacharel em serviços sociais. Os primeiros anos da graduação foram divididos entre os estudos na biblioteca de um shopping e cursinho preparatório. Hoje, Cleonildo trabalha no mesmo local onde desempenhava o papel como zelador, mas agora na função de assistente social: o Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza

Em ano de pandemia, o desafio de Cleonildo é grande. O assistente social conta que a relação com pacientes de Covid-19 e familiares é próxima, especialmente em momentos delicados.

“Estou nas unidades de internação do IJF 1. No entanto, diariamente, vários pacientes internados nas unidades de internação positivam e são transferidos para as unidades Covid-19. O contato é diário e tem sido para mim um desafio muito grande. Busco interagir com todos os profissionais da saúde para que eu possa ter uma solução e ajudar o familiar que possa perder um ente querido. Procuro ajudar o próximo da melhor maneira possível. Ser amigo de todos acima de tudo e tentar amenizar qualquer momento de dor”, afirmou.

O assistente social diz que hoje o cenário é o mais desafiador e preocupante do que um ano atrás. Segundo ele, os profissionais da saúde estão esgotados. Porém, seguem na luta. O que o surpreende.

“Durante esse um ano que estou lá no IJF como serviço social é um momento muito delicado. O mais delicado durante todo esse período de pandemia. Eu pude observar dentro das unidades que atendem Covid-19, entre os profissionais, um alto cansaço. O IJF tem sido um hospital que apesar de ele não ser relacionado ao Covid-19 ele tem servido de um hospital de apoio muito importante”.

Apesar de trabalhar em um local considerado de alta transmissão do coronavírus, o assistente social conta que não testou positivo para a doença até o momento. "Eu apresentei alguns sintomas, mas graças a Deus não peguei. Fiz o teste e deu negativo. Continuo na luta diária e sempre à disposição em ajudar o próximo".

Cursinho após jornada de trabalho

Cleonildo conta que se formou em serviço social, mas não conseguiu emprego no início. Então foi tentar a sorte como zelador. Por conta das dificuldades aceitou o desafio. "Trabalhava como zelador, serviços gerais no IJF. Durante o serviço procurei aproveitar a oportunidade de trabalhar em um hospital. Sempre via os profissionais da saúde e percebia a dedicação deles. Veio aí a inspiração para eu participar disso tudo de outra forma", relata.

Cleonildo afirma que realizava a limpeza do banheiro da ala do Centro Cirúrgico quando escutou dois médicos falando que havia vagas para vários profissionais no hospital. Uma delas para serviço social.

“Estava na limpeza quando ouvi dois médicos falando das vagas. Foi aí que decidi participar da seleção. Eram apenas duas vagas, mas mesmo assim resolvi encarar o desafio. A partir de então, era estudar, estudar e estudar”, disse.

Um dos principais desafios de Cleonildo era conciliar o trabalho de zelador no hospital com os estudos. Antes de se matricular no cursinho preparatório, o assistente social saía do IJF no início da noite e caminhava da unidade hospitalar até um shopping localizado no Bairro Benfica. Lá, estudava em um setor exclusivo para leitura. Só deixava o local quando o estabelecimento fechava.

"Eu entrava no IJF pouco antes das sete da manhã. Passava o dia todo e quando saía do hospital, às sete da noite, caminhava até o shopping. Lá tinha uma parte que deixava as pessoas lerem. Aproveitei o espaço. Foi muito legal ir para lá. Me ajudou bastante", afirmou.

Para poder pagar o cursinho preparatório, Cleonildo afirmou que teve que sacar o seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Não tinha dinheiro e para cursar, me preparar melhor, tive que recorrer ao saque do FGTS. O curso era no período da noite. Ia para lá depois que saía do hospital".

Fonte: G1 CE

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