Falta de vacina pentavalente deixa média de 18 mil crianças sem imunização em Fortaleza

Distribuição nos postos de saúde está irregular desde agosto de 2019, por desabastecimento do Ministério da Saúde.
21 de Janeiro de 2020 às 10:51

Foto: Foto: Divulgação/Sesa Ceará chegou a ficar dois meses sem receber nenhum repasse do Ministério da Saúde
Ceará chegou a ficar dois meses sem receber nenhum repasse do Ministério da Saúde

A irregularidade no repasse da vacina pentavalente e das doses de reforço, que afeta os estados brasileiros desde agosto de 2019, se estendeu para 2020: cerca de 18 mil bebês estão sem a proteção em Fortaleza, expostas a pelo menos cinco doenças graves, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Segundo a coordenadora de imunizações da SMS, Vanessa Soldatelli, o Ceará chegou a ficar dois meses sem receber nenhum repasse do Ministério da Saúde (MS), o que gerou a demanda reprimida. “A pentavalente veio mês sim, mês não. Foram dois meses sem a chegada da vacina, e 9 mil bebês deixaram de ser vacinados em cada um. A DTP (reforço) veio até agosto, depois não veio mais. Mas a maior preocupação é com a penta, porque ela é a primeira proteção dos bebês contra as infecções”, alerta.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que “a remessa de vacina pentavalente, adquirida por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi reprovada em teste de qualidade feito pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)” e, por este motivo, “as compras com o antigo fornecedor, a indiana Biologicals E. Limited, foram interrompidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

O abastecimento deveria ser normalizado em novembro do ano passado, aponta o MS. A coordenadora de imunizações de Fortaleza, porém, afirma que a gestão municipal “recebeu, em janeiro, apenas a quantidade de rotina normal para um mês”: 9 mil doses de pentavalente e 5 mil da DTP, repasse ainda insuficiente para a demanda retroativa. Para todo o Ceará, conforme a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), foram enviadas 83.500 doses da vacina pentavalente e 60.840 da DTP, de agosto até janeiro de 2020.

A vacina pentavalente é obrigatória no Calendário Nacional de Vacinação, e deve ser aplicada nas crianças aos dois, quatro e seis meses de idade, prevenindo contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria Haemophilus influenza tipo b, que pode causar meningite e outros tipos de infecções. Já as doses de reforço ou “complementações” são feitas por meio da vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (DTP), voltada a crianças a partir de 1 ano.

Fonte: Com informações do G1CE

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