Fernanda Montenegro critica o governo por crise na cultura: ''Censura moral''

Em seu livro, Fernanda Montenegro critica o governo por crise política na cultura

Foto: Reprodução \ Web Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro acaba de lançar sua autobiografia, intitulada Prólogo, Ato, Epílogo, pela editora Companhia das Letras. No livro, ela relembra seus 70 anos de palco e revela suas memórias afetivas.

Em uma entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, a atriz afirmou que a obra se trata de uma "viajem com muitos colegas, com muitas crises políticas, com muitas linguagens cênicas, com muita coragem de sobrevivência e resistência".

No livro, as questões políticas atuais são retratadas sem receio na obra. "Há uma mentalidade de censura moral. Estamos nos transformando em um país conduzido por uma visão religiosa e quem não apoiar não terá nada. E a cultura tornou-se o primeiro item a ser revisto e, se possível, exterminada. A arte é demoníaca, e nós, artistas, somos o instrumento do demônio".

A global ainda apontou, como uma das causas dessa situação, a estrutura de um sistema político nacional que prevê a reeleição em cargos públicos. "O período militar durou 20 anos e foi marcado por mudanças no comando, mas o sistema era o mesmo, o que parecia com uma reeleição", explicou.

"Agora, com essa possibilidade prevista em lei, cada político que ganha uma eleição vê uma chance de manter seu partido no poder por 20 anos, o mesmo período da ditadura militar. Herdamos uma deformação política", afirma. 

Fernanda fala sobre seus trabalhos no cinema e a indicação ao Oscar, em 1999, pela sua atuação no filme Central do Brasil.

O último trabalho de Montenegro foi em A Dona do Pedaço, novela das 21h que segue no ar na TV Globo. A artista fez uma participação na primeira fase da trama.

Fonte: Revista Caras

Deixe seu comentário