Goleira de time misto é proibida de disputar torneio de futsal por ser menina: "Continuo lutando"

Clara Rodrigues é a única menina e arqueira do time sub-10 de futsal da Tuna Luso. Organização não aceita inscrição no evento, que será realizado em Santa Catarina

Foto: Reprodução / Web Goleira não desiste do sonho de atuar no torneio nacional
Goleira não desiste do sonho de atuar no torneio nacional

Depois de ver a filha Clara, de 10 anos, atleta da Tuna Luso, ser proibida de participar de um campeonato nacional de futsal por ser menina, a autônoma Renata Rodrigues decidiu fazer o abaixo-assinado "Deixem as meninas jogarem em todos os campeonatos". A petição popular, que já tem mais de duas mil assinaturas, tem o objetivo de mobilizar a organização da 17ª Supercopa América de Futsal, que será realizada de 23 a 27 de julho, em Santa Catarina.

Clara joga futebol desde os sete anos, hoje na posição de goleira. A mãe conta que a garota sempre atuou em times masculinos, pois nunca houve equipes formadas só por mulheres nessa faixa etária. Ela disputava o Campeonato Paraense de Futsal por uma escola particular e se transferiu para a Tuna há cerca de um mês. Lá, é a única menina do sub-10.

De acordo com o diretor da Federação Paraense de Futsal (Fefuspa), Davi Leal, a 17ª Supercopa América não é uma competição reconhecida pela Confederação Brasileira de Futsal (CBFS). Ainda segundo ele, a Fefuspa permite a participação de equipes mistas até o sub-14.

– Dizer pra ela que não vai jogar só porque é menina é difícil – desabafa a mãe.

A recusa em fazer a inscrição da atleta pelo fato dela ser mulher gerou uma grande decepção para toda a família, que se preparava para realizar o sonho da menina. Apesar de ter o nome de 17ª Supercopa América de Futsal Masculina, o regulamento não deixa claro se as equipes também poderão ser femininas e/ou mistas.

– O time inscreveu os atletas e teve a recusa porque ela é menina. Mas, no regulamento de futsal diz que aceitam mistos até 13 anos, então, não teria motivo para essa recusa – explica Renata.

Depois que a situação de Clara veio a público, a família descobriu outros casos de meninas que foram proibidas de jogar. A autônoma afirmou que a Tuna tentou recorrer da decisão, mas para não prejudicar os demais atletas no campeonato, desistiu.

– A gente pode até não conseguir, mas vai lutar até o fim. Ela faz parte do time, se dedica, já enfrentou preconceitos quando começou no time dos meninos, chamavam ela de ‘viadinha’. Eu sei o potencial dela e também sei a força que ela tem, sempre engolindo tudo em prol do sonho dela de jogar futebol – afirma Renata.

Treinador de goleiros do futsal da Tuna, Yan Olin elogiou o desempenho de Clara Rodrigues nos treinamentos e afirmou que a atleta tem condições de atuar em jogos contra formações masculinas.

– A Clara tem muito potencial, é dedicada. Pra idade dela, executa todos os trabalhos de queda baixa, alta, defesa com os pés. Obviamente ainda tem algumas deficiências pela idade, porém, sem dúvida, possui todas as condições de competir de igual pra igual (com meninos).

A menina, que estava vendendo docinhos para as despesas na disputa do campeonato, ficou muito triste com a situação, mas afirmou que não irá desistir de fazer parte da equipe cruzmaltina.

– Fico muito triste porque não posso jogar no campeonato que eu tanto quis por eu ser menina. Eu faço parte do time, mas não posso jogar. Dou meu melhor e eu quero ir, os meninos também querem isso, está acontecendo com várias meninas. Continuo lutando – falou Clara, emocionada.

O GloboEsporte.com solicitou, através de e-mail, um posicionamento da organização da 17ª Supercopa América de Futsal, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. A Tuna Luso não quis se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Fonte: Globo Esporte

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