Governo afirma que vai mudar protocolo quanto ao uso da cloroquina

"O documento abrangerá o atendimento aos casos leves, sendo descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos" - Nota do Ministério da Saúde.

Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Estudos apontam que medicamento não têm eficácia no tratamento da Covid-19
Estudos apontam que medicamento não têm eficácia no tratamento da Covid-19

Após a demissão do ex-Ministro, Nelson Teich, do Ministério da Saúde, a pasta afirmou que irá alterar o protocolo sobre o uso do medicamento no tratamento de Covid-19, indicando a substância também em casos leves. Estudos recentes, no entanto, questionam a eficácia da cloroquina.

De acordo com os estudos, a droga utilizada contra a malária não tem uma eficácia comprovada contra o Sars-Cov-2 (Covid-19), que possui efeitos colaterais e pode estar associada ao aumento de mortes entre os pacientes de Covid-19.

A medida vai se aplicar também à hidroxicloroquina, que é um derivado da cloroquina e guarda as mesmas propriedades, mas que possui uma substância tóxica menor.

Os dois ex-ministros da Saúde da gestão Bolsonaro eram contra a ampliação do protocolo. O ex-ministro Nelson Teich, demitido nesta sexta-feira (15), lembrou que o medicamento tem efeitos colaterais. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta chegou a dizer que o uso de cloroquina em casos leves e poderia levar ao aumento de hospitalizações por causa de problemas cardíacos.

Ministério da Saúde

"O Ministério da Saúde está finalizando novas orientações de assistência aos pacientes com Covid-19. O objetivo é iniciar o tratamento antes do seu agravamento e necessidade de utilização de UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Assim, o documento abrangerá o atendimento aos casos leves, sendo descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos, equipamentos e estruturas, e profissionais capacitados. As orientações buscam dar suporte aos profissionais de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) e acesso aos usuários mais vulneráveis às melhores práticas que estão sendo aplicadas no Brasil e no mundo." 

Protocolo anterior

De acordo com o próprio Ministério da Saúde, antes do novo documento que está em elaboração, o protocolo válido é o publicado em 1º de abril de 2020.

O documento relata que distúrbios vasculares e retinopatia estavam entre os efeitos colaterais. Também afirmavam que era "estreita" a janela terapêutica (margem entre a dose terapêutica e dose tóxica). "O seu uso deve, portanto, estar sujeito a regras estritas, e automedicação é contra-indicada."

Mesmo com ressalvas, o protocolo previa o uso em duas situações: "pacientes hospitalizados com formas graves da Covid-19" e em "Casos críticos da Covid-19". A dosagem indicada mudava em cada condição, mas o tratamento indicado permanecia limitado ao máximo de cinco dias.

O protocolo também fazia recomendação de que deveria ser mantido o monitoramento do funcionamento do coração por meio de eletrocardiograma.

Estudos recentes não mostram eficácia contra o coronavírus

Foto: Reprodução/ InternetPesquisas buscam entender coronavírus e apontar formas de combate.
Três estudos tiveram destaque e mostraram que não houve comprovação de eficácia da substância no tratamento da Covid-19.

No início de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a contabilizar que eram feitos estudos em 74 países para tentar entender como funcionava a hidroxicloroquina contra o Sars CoV-2. Os resultados mais robustos começaram a sair nas últimas duas semanas.

Três estudos tiveram destaque e mostraram que não houve comprovação de eficácia da substância no tratamento da Covid-19. O primeiro deles foi publicado na revista britânica "The New England Journal of Medicine" e investigou a efetividade do tratamento em pacientes hospitalizados em um hospital de Nova York. De acordo com os autores, não foram encontradas evidências de que a droga tenha reduzido o risco de intubação ou de morte. Participaram 1.446 pessoas.

Outra pesquisa, também feita em Nova York, mostrou mais evidências de que a hidroxicloroquina pode não ser eficaz contra a Covid-19. O estudo avaliou o uso da substância em 25 hospitais da região metropolitana da cidade. Desta vez, foram analisados os dados de 1.438 pacientes com a doença - e os que receberam o medicamento tiveram uma taxa de mortalidade maior.

Por último, divulgado nesta quinta-feira (14) na revista “The BMJ”, cientistas mostraram que não ficou comprovada a eficácia no tratamento da Covid-19 também em pacientes leves a moderados. O total de participantes (150) foi dividido em dois grupos: 75 receberam a hidroxicloroquina, 75 não receberam. A eficiência contra o Sars Cov-2 foi a mesma, sendo que 10% dos pacientes que receberam o remédio apresentaram diarreia e dois desenvolveram efeitos colaterais graves.

Fonte: com informações do G1*

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