Ministros do STF estão céticos em relação a “recuo” de Bolsonaro

Segundo informações da Folha de S. Paulo, os magistrados estão céticos e garantem: a posição do presidente não vai mudar as investigações conduzidas pela Corte e pela Justiça Eleitoral.
10 de Setembro de 2021 às 09:21

Foto: Reprodução/ Internet Com intermediação de Michel Temer, Bolsonaro falou ao telefone com Alexandre de Moraes.
Com intermediação de Michel Temer, Bolsonaro falou ao telefone com Alexandre de Moraes.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal não mostraram empolgação com a nota oficial divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quinta-feira (9). Segundo informações da Folha de S. Paulo, os magistrados estão céticos e garantem: a posição do presidente não vai mudar as investigações conduzidas pela Corte e pela Justiça Eleitoral.

Integrantes do STF acreditam que a nota divulgada por Bolsonaro foi motivada não por uma mudança sincera, mas pelo sentimento de isolamento político. Nos últimos dias, houve uma maior movimentação por parte de partidos de centro e de direita pelo impeachment de Bolsonaro.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal não mostraram empolgação com a nota oficial divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quinta-feira (9). Segundo informações da Folha de S. Paulo, os magistrados estão céticos e garantem: a posição do presidente não vai mudar as investigações conduzidas pela Corte e pela Justiça Eleitoral.

Integrantes do STF acreditam que a nota divulgada por Bolsonaro foi motivada não por uma mudança sincera, mas pelo sentimento de isolamento político. Nos últimos dias, houve uma maior movimentação por parte de partidos de centro e de direita pelo impeachment de Bolsonaro.

Além da nota, escrita com ajuda do ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro também falou ao telefone com o ministro Alexandre de Moraes, principal alvo do presidente nos discursos de 7 de setembro, tanto em Brasília quanto em São Paulo.

Segundo a Folha, a avaliação de ministros do Supremo é que a ação de Jair Bolsonaro sirva para amenizar os efeitos negativos da radicalização no mercado financeiro e barrar a alta do dólar. Isso, não entanto, não mudará a postura de Moraes – ele é o relator do inquérito que investiga as fake news e a organização de protestos antidemocráticos.

As questões levantadas por ministros do STF foram confirmadas também na live de quinta-feira. Bolsonaro voltou a criticar Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e colocar em dúvida a lisura das urnas eletrônicas.

Dúvida na cúpula da CPI da Covid

Membros da CPI da Covid no Senado também adotaram tom de dúvida ao comentar a carta divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro.

“O dia 09.09 é histórico. Dia que Bolsonaro fez autocrítica sobre a China. E dia que ele recuou na tensão com outros poderes. Se for ato genuíno é louvável. Se for jogada para liberação do recurso de precatórios para programas eleitoreiros em 22, é lastimável. Estaremos alerta!”, disse Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também usou as redes sociais para se pronunciar. “Torço para que isso seja refletido na prática, e que não sejam apenas palavras ao vento. Continuaremos vigilantes!”

Nota de Bolsonaro 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recuou e, em nota oficial, pregou harmonia entre os poderes da República.

Dois dias depois de dizer que não respeitaria mais as ordens dadas por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de agredir outros poderes. Agora, o presidente atribuiu os ataques ao "calor do momento".

"A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", declarou.

Bolsonaro comentou especificamente a questão de Moraes e disse que entende que os conflitos são resultado das decisões do ministro tomadas no âmbito do inquérito das fake news. "Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de 'esticar a corda', a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum."

Leia a nota na íntegra:

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

Encontro com Michel Temer

Ao longo da tarde, Bolsonro se reuniu com Michel Temer (MDB) para um almoço nesta quinta-feira (9). O objetivo era pedir ajuda do ex-presidente para apaziguar o situação e costurar um acordo de paz entre caminhoneiros e Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações da TV Globo, Bolsonaro convidou Temer e enviou um avião da frota presidencial para busca-lo em São Paulo. A reunião durou aproximadamente 4 horas e terminou pouco depois das 16h. A orientação do ex-presidente teria sido a de pregar harmonia entre os poderes, como fez Bolsonaro.

Durante o governo de Michel Temer, o presidente também enfrentou uma greve de caminhoneiros.

Fonte: Redação Verdes Campos Sat

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