Estudante do Rio Grande do Sul é encontrado morto na China

Universidade e Itamaraty confirmaram falecimento de Leonardo Cláudio da Rosa. Intercambista estava em Pequim desde o ano passado, e retornaria no meio do ano. Circunstâncias não foram divulgadas.

Foto: Reprodução/internet Leonardo teve a morte confirmada pela universidade e pelo Itamaray nesta segunda-feira (15)
Leonardo teve a morte confirmada pela universidade e pelo Itamaray nesta segunda-feira (15)

O estudante Leonardo Cláudio da Rosa foi encontrado morto em Pequim, na China, segundo confirmou nesta segunda-feira (15) a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Itamaraty. Ele era acadêmico do curso de Letras desde 2015, iniciou um intercâmbio no país asiático no segundo semestre do ano passado e retornaria no meio deste ano.

Informações como causa e data da morte ainda não foram repassadas pela universidade, que diz ter sido avisada sobre a ocorrência no fim da tarde de segunda.

A direção do Instituto de Letras publicou uma nota em seu Facebook, em que cita relatos de colegas de Leonardo apontando para a ocorrência de crime. O Itamaraty informou que foi avisado pela Embaixada Brasileira da China, mas que ainda não teve acesso a mais informações do caso.

A universidade acompanha a situação junto ao Ministério das Relações Exteriores e à Embaixada Brasileira da China. Confira a nota abaixo:

Instituto de Letras UFRGS Campus do Vale

DECLARAÇÃO IMPORTANTE:

A direção do Instituto de Letras informa que, lamentavelmente, confirmou-se hoje, às 14h, a notícia do falecimento do aluno LEONARDO CLÁUDIO DA ROSA. As informações iniciais, provenientes de colegas de intercâmbio de Leonardo na China, indicam que foi vítima de crime, embora a direção não possa confirmar. A RELINTER e os órgãos superiores da Universidade estão acompanhando a situação junto com a família de Leonardo, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada brasileira na China, a fim de providenciar o translado do corpo e determinar as circunstâncias da morte. A direção do IL expressa aqui sua profunda consternação e tristeza e envia, em nome da comunidade da Letras, seus sentimentos de solidariedade à família de Leonardo. Faremos o que estiver a nosso alcance para que as autoridades brasileiras busquem junto ao governo chinês o esclarecimento cabal dessa incompreensível tragédia.

Em seu perfil no Facebook, Leonardo publicou um texto em julho de 2018 comemorando a bolsa que havia ganhado para estudar na China, e pedindo contribuições para as despesas que teria durante o ano de estadia no país, com os custos que a bolsa não cobriria.

Foto: Reprodução/internetLeonardo publicou texto no Facebook em 2018 pedindo ajuda para se manter na China
Leonardo publicou texto no Facebook em 2018 pedindo ajuda para se manter na China

Também no perfil da rede social, Leonardo informou, em 2017, que trabalhou no Transenem, um cursinho gratuito que atende pessoas trans em Porto Alegre para oferecer preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros processos seletivos de universidades.

Com o objetivo de integrar estas pessoas ao ensino superior e promover, dessa forma, a inclusão, o Transenem estava em seu segundo ano em 2017. 

A página do programa UFRGS Portas Abertas, que divulga cursos na universidade, publicou em abril de 2017 um texto no Facebook que falava sobre Leonardo. Na época, o estudante estava no quinto semestre da faculdade de Letras.

"Leonardo sempre quis estudar língua e linguagem de um ponto de vista científico. Sempre achou interessantes estudos dos processos cognitivos, a fonologia, língua estrangeira, língua em sociedade, entre outros", dizia a postagem. Leia abaixo:

UFRGS Portas Abertas

Leonardo da Rosa é acadêmico de Letras, está no quinto semestre, e nos conta um pouco de sua história como aluno da UFRGS na nossa tag #EstudonaUFRGS.
Leonardo sempre quis estudar língua e linguagem de um ponto de vista científico. Sempre achou interessantes estudos dos processos cognitivos, a fonologia, língua estrangeira, língua em sociedade, entre outros. No vestibular, ele se viu em dúvida entre Fonoaudiologia e Letras, ambos cursos que lhe proporcionariam um grande espaço de aprendizado. Por fim, acabou optando por Letras por preferir o enfoque acadêmico ao clínico.
Sobre o curso, Léo afirma que é incrível para quem curte humanidades em geral. Os alunos passam por várias ciências humanas - especialmente História, Antropologia e Sociologia - nas disciplinas de teoria e crítica de Literatura. A parte de Linguística, por outro lado, é bastante enriquecedora tanto para quem gosta de estudos formais de língua, aquilo que acaba sendo chamado de “gramática” na educação básica, quanto para quem gosta estudos mais aplicados, relacionados, por exemplo, à Pedagogia e à Psicologia.
Se envolver em grupos de pesquisa com diferentes perspectivas foi o que mais deixou Léo entusiasmado, pois esse tipo de experiência impulsiona o aluno, dando bagagem para debates teóricos de diferentes áreas e - seja na pesquisa, seja na sala de aula - as visões abrangentes que podem ser construídas vão ter um grande impacto.

Fonte: G1

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