Na pandemia, torcedores vendem tocha olímpica por até R$ 35 mil

Participantes da cerimônia da Rio 2016 viram no objeto uma forma de reaver dinheiro escasso devido às restrições impostas pela covid
Por Redação Verdes Campos Sat 14 de Maio de 2021 às 14:03

Foto: RENATO SILVESTRE/FOLHAPRESS Na pandemia, torcedores vendem tocha olímpica por até R$ 35 mil
Na pandemia, torcedores vendem tocha olímpica por até R$ 35 mil

Entre a despensa cheia de comida e a estante bem decorada, não há duvida. Em plena pandemia do novo coronavírus, agravada com as restrições impostas em determinados momentos, torcedores estão se desfazendo da tocha olímpica da Rio 2016 para reaver o dinheiro escasso e não deixar faltar o básico em casa. Os anúncios na internet variam bastante e podem chegar a até R$ 35 mil pela relíquia.

O preço nas principais plataformas de comércio online é definido pelo próprio vendedor e, claro, pode ser barganhado. Na relação oferta e demanda, cada um dá o lance que bem entende, de acordo com o estado de conservação e objetos que acompanhavam a peça. Estojo, certificado de autenticidade e fotos do dia ajudam na valorização. Um kit, com o uniforme de corrida completo, faz o preço facilmente chegar em R$ 75 mil.

Representante da área comercial, Theo Dantas, um apaixonado confesso por todos os esportes, trabalha em um dos setores que mais perdeu receita com as restrições impostas na pandemia. Vendo a renda diminuir, a melhor saída foi tentar vender um dos grandes símbolos da primeira edição dos Jogos Olímpicos na América do Sul.

“Vi as minhas vendas caírem drasticamente. Então percebi logo que precisava ter uma reserva para manter a família. Infelizmente, a tocha seria uma saída para isso. Tenho a preocupação com a minha esposa e meus filhos e sei que não vivemos dos bens materiais. O mais importante é a saúde física, mental e o bem estar da nossa família”, disse Dantas, que carregou a tocha em Palmas (TO) e hoje pede R$ 35 mil pelo objeto.Ao longo dos anos, o revezamento da tocha olímpica se tornou mais que um evento para remontar as Olimpíadas da Antiguidade, com a simbologia do fogo, adorado pelos gregos. A tocha foi introduzida em Berlim 1936 e, desde então, passou a ter incrementado um ritual que acende o fogo em Olimpia e leva até a cidade-sede dos Jogos. Hoje, o revezamento, assim como também acontece em Tóquio 2020, move pequenas fortunas.

Até chegar ao Rio, em 2016, as tochas compuseram um total de 20 mil km percorridos, em 95 dias, passando por 300 cidades. Ao todo, mais de 12 mil condutores se revezaram    em uma cerimônia que salientava alguns os valores do olimpismo como a excelência, a amizade e o respeito. Atletas e personalidades, em geral, eram agraciados com uma tocha dos patrocinadores.

A população não-contemplada no programa dos patrocinadores, precisava desembolsar R$ 1.985 para carregar a tocha por alguns 100 metros e levá-la para casa. O objeto mede 69 cm, pesa 1,5 kg e tem inspiração no calçadão da orla de Copacabana. O sol, as montanhas e o mar também estão representados na peça desenhada por um escritório paulistano de design.

O fisioterapeuta Estevão Lamas, de Vitória (ES), está desempregado e também foi um dos corredores que olhou para a tocha olímpica e viu a venda como uma alternativa natural para fazer algum dinheiro na pandemia. Ele conta que há interessados, mas também alguns “engraçadinhos que desdenham do anúncio e rapidamente são denunciados” na plataforma — um mecanismo que garante que somente pessoas interessadas possam se comunicar.

“É muito triste essa situação. Não queria me desfazer de um símbolo olímpico, mas estou precisando do dinheiro e sei que itens serão de grande valor mais para frente”, disse o torcedor, que anuncia a peça por R$ 13.750.

Fonte: R7.com

Deixe seu comentário