ONGs criticam Bolsonaro e dão "prêmio" ao Brasil

O país dividiu o primeiro lugar com a Arábia Saudita

Foto: Reprodução/Internet ONGs criticam Bolsonaro e dão "prêmio" ao Brasil
ONGs criticam Bolsonaro e dão "prêmio" ao Brasil

As organizações que acompanham as negociações da COP-24 do Clima manifestaram nesta quarta (5) suas reações críticas às mudanças na postura brasileira anunciadas nas últimas semanas, como a desistência de sediar a COP-25 no ano que vem e a possibilidade de deixar o Acordo de Paris, considerada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.



"O Brasil, local de nascimento da agência de clima da ONU e até então um mediador confiável das negociações do Acordo de Paris, está para se tornar um dos tratantes mundiais do clima", critica o artigo publicado hoje no Eco, jornal que circula diariamente na COP, editado pela rede de ONGs Climate Action Network (CAN).



As mais de mil ONGs membros da rede votam a cada dia da COP para eleger o ganhador do prêmio Fóssil do Dia, que chama atenção para países que tentam travar as negociações ou que adotam políticas contrárias às previstas no Acordo de Paris. Nesta quarta o prêmio foi dedicado ao Brasil.



O país dividiu o primeiro lugar com a Arábia Saudita, país conhecido por dificultar as negociações climáticas e que, agora, leva o prêmio por se colocar contrário a mecanismos de elevação das ambições das metas de Paris.



Já o Brasil leva o troféu irônico pelo conjunto de afirmações de Bolsonaro e seu indicado para o Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, contrárias ao Acordo de Paris.



"Bolsonaro cancelou a COP-25 no Brasil porque leu algo no WhatsApp [...] isso parece legítimo", ironiza o texto de justificativa para entrega do prêmio. "Nunca antes na história das COPs um presidente recebeu o prêmio antes mesmo de assumir como chefe de Estado", comentou Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace no Brasil.



Ainda nesta quarta foi divulgada na COP-24 uma análise da Climate Action Tracker sobre o conjunto de mudanças para o clima que podem acontecer a partir da eleição de Bolsonaro no Brasil.



A publicação alerta para o alinhamento político de governadores da região amazônica com o presidente eleito, o que poderia acelerar políticas contrárias à preservação na região.



O setor aguarda com expectativa o anúncio do novo ministro do meio ambiente do Brasil, o que, segundo a equipe de transição, deve acontecer nos próximos dias.

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