Para o presidente senegalês, lei que proíbe homossexualidade não é homofóbica

No Senegal, a lei pune com penas de um a cinco anos de prisão os atos homossexuais. O código penal se refere a 'atos impudicos ou contra a natureza com um indivíduo do mesmo sexo'.

Foto: Reprodução \ Web Macky Sall, do Senegal, cumprimenta Justin Trudeau, do Canadá, em 12 de fevereiro de 2020
Macky Sall, do Senegal, cumprimenta Justin Trudeau, do Canadá, em 12 de fevereiro de 2020

A proibição à homossexualidade no Senegal se deve a razões culturais que não têm "nada a ver" com a homofobia, afirmou o presidente do país, Macky Sall, na quarta-feira (12), na presença do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

No Senegal, a lei pune com penas de um a cinco anos de prisão os atos homossexuais. O código penal se refere a "atos impudicos ou contra a natureza com um indivíduo do mesmo sexo".

Mais da metade dos países da África subsaariana - 28 de 49 - têm leis que proíbem ou reprimem a homossexualidade, eventualmente com pena de morte.

Durante a visita ao Senegal, Trudeau disse que expôs seu ponto de vista sobre o tema. "Sempre defendo os direitos humanos e trago essas questões para onde quer que eu vá, o presidente Macky Sall conhece muito bem meus pontos de vista a respeito, e falamos disso brevemente", afirmou o canadense em coletiva de imprensa conjunta em Dacar.

Sall confirmou que o assunto, delicado neste país da África Ocidental, foi abordado durante as reuniões.

"As leis de nosso país obedecem normas que são o condensado de nossos valores culturais e civilizatórios. Isso não tem nada a ver com a homofobia. Quem tem a orientação sexual de sua escolha não é alvo de exclusão", garantiu.

Mas, ao ser questionado por um jornalista sobre de que modo as leis que proíbem a homossexualidade não são uma mostra de homofobia, Sall evitou responder.

Contudo, deixou a porta aberta a uma mudança. "Tampouco podemos pedir ao Senegal que diga: 'amanhã legalizamos a homossexualidade e, amanhã há aqui uma parada gay, etc'", acrescentou, referindo-se a marchas do orgulho LGTB celebrados em outras regiões do mundo.

"Isso não é possível porque nossa sociedade não aceita isso. A sociedade evoluirá, isso levará um tempo", disse o presidente senegalês.

Fonte: G1

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