Partido de extrema-direita da Alemanha escolhe novos líderes e quer se preparar para integrar governo

O AfD, que tem uma retórica anti-imigração se reúne em Brunswick para eleger seus novos dirigentes.

Foto: Reprodução \ Web Membros da AfD, partido de extrema-direita da Alemanha, em reunião em Brunswick, em 30 de novembro de 2019
Membros da AfD, partido de extrema-direita da Alemanha, em reunião em Brunswick, em 30 de novembro de 2019

Centenas de pessoas se reuniram neste sábado (3) para protestar contra o partido de extrema-direta Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) na cidade de Brunswick, onde o grupo se reúne para eleger seus novos líderes.

O batalhão de choque cercou a arena onde cerca de 550 delegados do AfD se reuniram.

Um dos líderes do partido, Alexander Gauland, disse em um depoimento de abertura que a meta do partido é deixar de ser oposição e virar governo, ao menos em nível regional.

O AfD é o maior partido de oposição no Parlamento nacional da Alemanha. Ele passou a integrar o legislativo em 2017, impulsionado por eleitores insatisfeitos com a primeira-ministra Angela Merkel –principalmente pelo fato de ela ter permitido a entrada de cerca de um milhão de pessoas em busca de refúgio em 2015.

O AfD também é oposição em assembleias legislativas de 16 estados. Os políticos de outros partidos, mais tradicionais, evitam se relacionar com os da AfD, inclusive os colegas de Merkel, o cristãos democratas (CDU, na sigla em alemão).

“Eles nos chamam de nazistas, fascistas e terroristas de direita, mas nós precisamos ser sábios e resilientes –chegará o dia em que a CDU, enfraquecida, só terá uma opção: nós”, disse Gauland.

Atmosfera de ódio

Os conservadores de Merkel disseram que não trabalham com a AfD, e argumentaram que se trata de um partido com retórica anti-imigração e antissemita que contribui para uma atmosfera de ódio que encoraja a violência política.

Gauland, 78, é visto como uma figura unificadora do AfD, e indicou que deverá se candidatar para assumir a liderança se ele tiver dúvidas a respeito da qualificação dos outros concorrentes.

Seu colega de lideraça, Joerg Meuthen, é um membro do Parlamento Europeu. Ele busca a reeleição, e pretende preparar o partido para ter uma participação no governo.

“Precisamos estar prontos para governar; não vai acontecer em 2019 ou 2020, mas vai acontecer”, disse Meuthen.

O partido deverá manter o modelo de co-liderança.

Monitorado por agências de segurança

Tino Chrupalla, um parlamentar do estado da Saxônia, é o candidato preferido pelos membros mais velhos do AfD. Ele também tem apoio de Bjoern Hoecke, o líder da AfD no estado de Thuringia que está à frente de uma ala radical do partido que é monitorada por agências de inteligência por possíveis atividades inconstitucionais.

“Se nós queremos mais sucesso precisamos mudar, nós queremos caminhar para o centro, e isso funcionará porque o CDU não para de se mexer para a esquerda”, disse Chrupalla na sexta (29), durante um evento.

O AfD recebeu cerca de um quarto dos votos nas eleições de três estados neste ano. O partido é mais popular em partidos da antiga Alemanha Oriental, que era comunista. Nessa região, eles têm o dobro dos votos do que no resto do país.

O principal concorrente de Chrupalla é o parlamentar Gottfried Curio, um médico e músico, que virou uma estrela do YouTube por sua retórica contra os muçulmanos.

Fonte: G1

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