PF não orientou delegado a omitir diligência para encontrar celular de ministro da AGU

Ministro da AGU perdeu celular em transporte por aplicativo no Rio de Janeiro e pediu ajuda da PF para encontrar o aparelho, por conter informações de Estado.

A decisão de omitir o objetivo da operação da Polícia Federal (PF) que recuperou o celular funcional de um ministro foi do delegado de plantão e não da corporação, conforme apurou a TV Globo. Não houve qualquer orientação da PF para esconder a informação verdadeira.

No último final de semana, equipes da PF com o apoio da Polícia Militar, realizaram uma diligência na comunidade das Três Pontes, em Cosmos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para resgatar o celular do advogado-geral da União, André Mendonça, deixado em carro de aplicativo de transporte. Informação inicial da PF era a de que o aparelho pertencia a um delegado.

Nesta sexta-feira (16), a Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou, em nota, que o advogado-geral perdeu o aparelho em um Uber (veja detalhes no vídeo acima). "O advogado-geral da União, André Mendonça, comunicou a perda do aparelho funcional à Polícia Federal que, por sua vez, adotou as providências que considerou necessárias, tendo em vista tratar-se de celular que continha informações de Estado", informou a nota.

A partir do pedido do ministro André Mendonça, o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, acionou o superintendente da PF no Rio, Ricardo Saad, que pediu para a equipe de plantão ir atrás do celular no endereço onde o GPS apontava que o aparelho estava.

A orientação era bater na porta e perguntar ao motorista se havia um celular perdido no veículo. Não havia ordem judicial pra busca e apreensão ou orientação para qualquer medida nesse sentido. Investigadores disseram que a PF descobriu que o endereço era uma favela e pediu ajuda à PM do Rio.

A diligência conjunta resultou na recuperação do celular. No boletim de ocorrência, segundo a TV Globo apurou, o delegado da PF de plantão informou que o objetivo era localizar o celular de um delegado de Brasília chamado Ricardo, e não do celular do ministro da AGU.

Investigadores afirmaram, reservadamente, que foi uma decisão do delegado sem qualquer orientação institucional. Internamente, a PF disse que não houve operação para buscar o celular do ministro e sim uma mobilização a pedido dele.

Delegados reconhecem que a diligência não é usual, mas dizem que não houve ilegalidade e que é preciso esclarecer o que levou o delegado do caso a informar errado o nome do dono do celular , omitindo que era do ministro. Delegados com acesso a diligência dizem que a decisão do delegado de plantão foi operacional.

Fonte: G1

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