Presidente e ex-vice jurídico do Cruzeiro são intimados a depor na operação Escobar

Wagner Pires de Sá e Fabiano de Oliveira Costa vão prestar depoimento na Polícia Federal na semana que vem; três presos no início do mês têm ligação com o clube

Foto: Reprodução\ Web Zezé Perrela, pediu afastamento de integrantes da cúpula do Cruzeiro
Zezé Perrela, pediu afastamento de integrantes da cúpula do Cruzeiro

Nessa sexta-feira, Wagner Pires de Sá, presidente do Cruzeiro, e Fabiano de Oliveira Costa, ex-vice-presidente jurídico do clube, foram intimados para depor na Polícia Federal. Eles foram convocados na condição de testemunhas na Operação Escobar, que investiga possível vazamento de documentos sigilosos sobre operações da PF. Fabiano e Wagner vão depor, respectivamente, na terça e na quinta-feira da semana que vem

Fabiano de Oliveira Costa foi vice-presidente jurídico do Cruzeiro até o dia 3 de junho, quando Wagner Pires de Sá decidiu extinguir alguns cargos do clube em meio às irregularidades denunciadas pela reportagem do Fantástico, da TV Globo, em 26 de maio. Ele segue trabalhando no departamento jurídico celeste.

No último dia 5, Ildeu da Cunha Pereira, advogado e conselheiro nato do Cruzeiro, Marcio Antonio Camillozzi Marra, servidor da Polícia Federal e conselheiro efetivo do clube, e Carlos Alberto Arges, advogado que prestou serviços para Itair Machado, atual vice-presidente da Raposa, foram presos na operação Escobar.

Ildeu Cunha e Arges estiveram envolvidos em um recente escândalo administrativo do Cruzeiro. Ambos estavam entre os 18 conselheiros que recebem pagamentos por trabalharem ou prestarem serviços para o clube, conforme denunciou reportagem do Fantástico, da TV Globo, no dia 26 de maio.

No dia em que Ildeu e Arges foram presos, o GloboEsporte.com, por meio do Blog do Rodrigo Capelo, denunciou que, juntos, eles receberam mais de R$ 1 milhão do Cruzeiro no ano passado. Arges recebeu R$ 365.576 como pessoa física, como adiantamento, conforme descrito no balancete analítico contábil do Cruzeiro referente ao ano passado. Ele também recebeu R$ 48.620 por meio de seu escritório, o Arges e Arges Advogados Associados.

O Cruzeiro pagou a Ildeu R$ 670.989 por meio de seu escritório, Cunha Pereira Advogados. Ildeu ainda possui contrato assinado com o clube, com início em 6 de dezembro de 2018 e validade até 10 de dezembro de 2019, pelo qual recebe R$ 3.729 por mês. Ele presta “serviço de consultoria jurídica”, de acordo com o documento.

Marcio Antonio Marra, por sua vez, havia sido nomeado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, Zeze Perrella, para fazer parte da comissão provisória que apura tais irregularidades. Após a prisão dele, Perrella nomeou imediatamente o conselheiro nato e o desembargador Wanderley Salgado de Paiva para substituir Marra

Pedido de afastamento de Wagner

Neste sábado, um dia após a intimação de Wagner e Fabiano pela Polícia Federal, Zezé Perrella solicitou, por meio de carta, o afastamento do presidente e dos outros integrantes da diretoria do Cruzeiro que foram envolvidos nas recentes denúncias.

No documento, o presidente do Conselho Deliberativo diz que o clube é "vítima" dos fatos apontados pelos denunciantes e pede que os integrantes da cúpula cruzeirense se afastem imediatamente dos cargos, pelo menos até o fim dos trabalhos da comissão de sindicância, instaurada para checar os atos da atual administração.

Perrella informou, ainda, que vai convocar reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Cruzeiro nesta segunda-feira, com base no art. 21, II, a do estatuto do clube, a fim de apreciar o pedido de afastamento com base no art. 30, IV, d do mesmo estatuto (descrito abaixo), que dispõe sobre gestão temerária e consequências.

Art. 30.

IV - será afastado imediatamente e se tornará inelegível, pelo período de 10 (dez) anos, para desempenho de cargos e funções eletivas ou de livre nomeação, o dirigente que:

d) for afastado de cargos eletivos ou de confiança de entidade desportiva ou em virtude de gestão patrimonial ou financeira irregular ou temerária da entidade;

Operação Escobar

A operação Escobar é um desdobramento da Capitu, quando Ildeu da Cunha Pereira e outras 15 pessoas foram presas em investigação em suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Na época, o então vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), e o empresário Joesley Batista, dono da JBS, estavam entre os detidos. De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram depois que documentos da Operação Capitu foram encontrados na casa de Andrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB), em dezembro de 2018.

Após os documentos terem sido encontrados na na casa dela, a PF constatou vazamento de informações sobre outras operações. Os advogados teriam acesso privilegiado às informações e as usavam para oferecer aos clientes facilidades ilegais. Segundo nota da Polícia Federal, “tal atitude não só prejudicou diversas investigações como coloca em risco a segurança dos policiais envolvidos nos trabalhos”.

Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos escritórios dos advogados investigados. Arges, Ildeu e um servidor da Polícia Federal tiveram prisão preventiva decretada. Um outro servidor teve prisão temporária decretada.

Fonte: Globo Esporte

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