Professor da UFTM em Uberaba vai participar de escavação de tumba no Egito

Fábio Frizzo, do curso de História, será pesquisador adjunto do projeto argentino que busca escavar, restaurar e pesquisar a tumba de um nobre egípcio que viveu entre os anos de 1479 e 1458 antes de Cristo.

Foto: Reprodução \ Web Pesquisadores do Projeto frente à paisagem das tumbas em Luxor
Pesquisadores do Projeto frente à paisagem das tumbas em Luxor

O professor Fábrio Frizzo, do curso de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em Uberaba, vai participar como pesquisador adjunto de um projeto argentino que busca escavar, restaurar e pesquisar a tumba de um nobre egípcio, chamado Amenmose, que viveu entre os anos de 1479 e 1458 antes de Cristo. O trabalho será feito entre janeiro e fevereiro de 2020, conforme permitido pelas autoridades egípcias.

Frizzo foi convidado para participar do Projeto Amenmose pela diretora da missão, a professora Andrea Zingarelli, egiptóloga da Universidad Nacional de La Plata (UNLP), da Argentina, com quem ele manteve contato desde o doutorado coorientado por ela.

Ao G1, Frizzo contou que eles trabalham juntos em outros projetos e que, em dezembro de 2018, ele esteve na Argentina para discutir sobre um livro que ambos devem produzir em conjunto para ser publicado na Inglaterra. Na ocasião, os dois também conversaram sobre o projeto que Andrea Zingarelli estava organizando para as escavações, já que ela iria ao Egito em janeiro deste ano para definir as possibilidades de trabalho.

"Logo que ela e as outras pesquisadoras voltaram do Egito, no início do ano com dados mais concretos, veio o convite para integrar a missão. Recebi a notícia com muita alegria, pois, embora pesquise a antiguidade egípcia há mais de uma década e tenha tido contato com outros projetos que trabalham no Egito a partir do diálogo com laboratórios de pesquisa brasileiros, nunca havia recebido um convite formal para integrar uma missão", contou.

O professor, que tem 35 anos e leciona na UFTM há sete meses, ressaltou que participar pela primeira vez de um projeto como este será um grande passo na trajetória como pesquisador do passado do Egito faraônico.

"Até então, meu trabalho sobre a antiguidade egípcia partia basicamente de fontes escritas e arqueológicas publicadas por egiptólogos que trabalharam em campo. Como no Brasil não temos uma forte tradição egiptológica, ao contrário de alguns países da Europa e dos Estados Unidos, não há uma formação específica para esta carreira. Os interessados em estudar o Egito antigo aqui no Brasil acabam saindo das formações universitárias em História ou Arqueologia, sendo as primeiras muito mais numerosas que as segundas. Por tradição do método historiográfico, trabalhamos primordialmente a partir de fontes escritas. Desta forma, tenho certeza que a minha participação vai ser um imenso aprendizado, especialmente no que se refere à experiência com técnicas e métodos arqueológicos", ressaltou Frizzo.

Para Frizzo, a participação dele no projeto também coloca a UFTM em um contexto internacional de pesquisas egiptológicas em que poucas universidades brasileiras estão inseridas. Ele destaca a divulgação de produção científica brasileira, no âmbito internacional, acerca do passado da humanidade e de preservação do patrimônio material.

O professor ainda afirmou que a UFTM e a UNLP da Argentina já estão buscando construir acordos de cooperação entre si. O objetivo é encontrar caminhos para novos intercâmbios acadêmicos, que possibilitem aos estudantes e à comunidade de Uberaba novas experiências relacionadas a este passado distante.

"É importante lembrar que vivemos num contexto complicado para a ciência brasileira, com a redução drástica dos investimentos públicos. Minha participação nesse projeto está sendo financiada por um esforço basicamente pessoal e familiar. Para além das conquistas pessoais, faço isso com a esperança de que este esforço abra portas para outras pessoas, em especial meus e minhas estudantes. Torço para que num momento em que haja mais investimentos em pesquisa no país, as conexões criadas neste projeto possibilitem a transformação da UFTM num polo de formação egiptológica no Brasil, garantindo aos estudantes as mesmas oportunidades de compor projetos internacionais como este", lembrou Frizzo.

A tumba

A tumba foi cavada nas formações rochosas naturais da região conhecida hoje como Sheikh Abd el-Qurna, na atual cidade de Luxor, no Egito. Na época, era a região da cidade de Tebas, que serviu por muito tempo como a capital do Egito faraônico.

O homem para o qual a tumba foi elaborada se chamava Amenmose, responsável pela construção da Necrópole Real de Tebas, onde eram enterrados os faraós naquele período.

Descoberta em escavações anteriores do local, a tumba conta com uma decoração de relevos e painéis riquíssimos para a compreensão da cultura faraônica do período.

“O sítio não foi publicado integralmente e não houve grandes esforços de preservação. Assim, este patrimônio está correndo risco de desaparecer sem que tenha sido estudado e publicado internacionalmente. O projeto foi elaborado justamente para gerar um conhecimento maior sobre este patrimônio da humanidade no sentido de preservá-lo para posteridade”, explicou o professor Fábio.

Além da UNLP e UFTM, fazem parte da missão representantes da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), trabalhando em conjunto com o Ministério das Antiguidades do Egito na pesquisa e preservação do patrimônio cultural do país africano.

A missão está em fase de busca por recursos financeiros com as agências argentinas e internacionais.

Fonte: G1

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