Quadra chuvosa no Ceará fica acima da média histórica pela primeira vez nos últimos 10 anos

Outro ponto positivo da quadra chuvosa deste ano foi a distribuição espacial das chuvas no território cearense.

Foto: Reprodução/ Internet Açude Caldeirões, em Saboeiro, foi um dos reservatórios que sangraram no Ceará em 2020.
Açude Caldeirões, em Saboeiro, foi um dos reservatórios que sangraram no Ceará em 2020.

As chuvas registradas Ceará na quadra chuvosa deste ano, que teve início em fevereiro e se encerrou no domingo (31), ficaram acima da média histórica pela primeira vez desde 2009. Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) consultados na manhã desta segunda-feira (1º), o estado contabilizou 734.6 milímetros de chuva no quadrimestre, 22.3% acima do normal para o período (695.8 mm).

Do início dos anos 2000 até hoje, somente as quadras chuvosas de 2009 (965.7 mm) e 2008 (768.2 mm) haviam atingido este patamar.

Volumes superiores a 695.8 mm são tratados como “acima da média”. Quando o acumulado no quadrimestre fica entre 505.6 mm e 695.8 mm, é considerado “em torno da média”. Já quando o observado é menor que 505.6 mm, considera-se “abaixo da média”.

Distribuição

Além de ficar acima da média histórica, o ponto alto desta quadra chuvosa foi a distribuição espacial das chuvas. “Embora algumas áreas isoladas possam não ter sido tão beneficiadas pelas chuvas, de um modo geral, diferentemente do observado nos últimos anos, as precipitações foram melhor distribuídas no estado”, avalia Meiry Sakamoto, gerente de Meteorologia da Funceme.

Segundo ela, em fevereiro, março e parte de abril, as condições do oceano Atlântico favoreceram o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o Nordeste do Brasil, “levando chuvas, inclusive, para o interior do Ceará”, aponta. “Estes números, apesar de preliminares, confirmam os prognósticos climáticos divulgados em janeiro e fevereiro. É o melhor resultado desde 2009, quando as precipitações ficaram 60,8% acima da média do quadrimestre”.

No mês de maio, com o afastamento da ZCIT, foi possível observar uma diminuição das chuvas, que ocorreram, conforme Sakamoto, associadas a áreas de instabilidade formadas no oceano próximo à faixa litorânea, ou se deslocando em direção ao estado, a partir do setor leste da região Nordeste. “Essa tendência de redução ao longo da estação chuvosa havia sido indicada nos prognósticos da Funceme”, ressalta a meteorologista.

Macrorregiões

Entre fevereiro e maio, a macrorregião do Cariri foi a que teve maior variação positiva de chuvas. Com 864 mm, o índice ficou 39,9% acima do normal para a região. Na sequência está o Litoral de Fortaleza, com chuvas 31,8% acima da média, região que em termos absolutos acumulou o maior volume precipitado no período (1.050,2 mm).

Repetindo a tendência histórica, nesta quadra, março foi o mês mais chuvoso, com 275.7 mm (35.5% acima do normal), seguido de fevereiro (192.2 mm) e abril (181.2 mm). Maio apresentou o menor índice pluviométrico, com 86.5 mm (-4,6%). Ainda assim, foi o maio mais chuvoso desde 2013, quando o Ceará registrou 92.2 mm (1.8%).

Reservatórios

As boas chuvas tiveram impacto positivo, também, no cenário hídrico e o Ceará atingiu a marca de um terço da capacidade dos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), situação que não ocorria desde outubro de 2013. Além disso, 35 reservatórios excederam a capacidade máxima e permanecem sangrando, conforme o Portal Hidrológico do órgão.

Os três maiores açudes do Ceará - Castanhão, Banabuiú e Orós, ganharam 13,21%, 7,54% e 22,78% de volume, respectivamente, de janeiro até o hoje (1).

O Castanhão acumula agora 15,97% de seu volume de água, Banabuiú 13,58% e Orós 27,96%. A recuperação fica evidente quando olhamos os índices das bacias onde os reservatórios estão localizados. Na bacia do Médio Jaguaribe, onde fica o Castanhão, o acúmulo é de 15,59%. Em 1º de janeiro, esta taxa era de apenas 2,85%. Já nas bacias do Alto Jaguaribe e do Banabuiú, onde ficam Orós e Banabuiú, a recuperação foi ainda maior. Na primeira, que iniciou o ano com 5,74% da capacidade, este índice chegou a 35,17%. Já na do Banabuiú, onde fica o reservatório homônimo, a capacidade saiu de 6,36%, em 1º de janeiro, para 14,18%.

Os reservatórios da bacia do Litoral, região que concentrou os maiores volumes de chuva no Ceará, estão em situação mais confortável, concentrando 99,86% do suporte total. Dos 10 açudes, sete estão sangrando. Situação semelhante ocorre na bacia do Coreaú, que acumula 98,81% da capacidade e possui sete dos 10 reservatórios sangrando atualmente.

Aumento da demanda

O abastecimento chega em um momento de aumento da demanda com o isolamento social. A Companhia dec Água e Esgoto do Ceará (Cagece), responsável pela distribuição no Ceará, chegou a ampliar o sistema integrado de Fortaleza. As estações de tratamento do Gavião e Oeste tiveram aumento de 3,6% na vazão de água produzida com o objetivo de aumentar a oferta de água distribuída na Grande Fortaleza.

Até 10 de junho, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, devem seguir recebendo reforço hídrico durante o isolamento. O aumento acontece a partir da operação controlada de transferência de água do açude Fogareiro, do sistema Banabuiú, para o Açude Quixeramobim, iniciada em maio. “Com a crise provocada pela pandemia, a demanda por água se tornou mais urgente ainda”, explicou o gerente regional, Paulo Ferreira. “A transferência não tem causado impacto no abastecimento das comunidades rurais situadas no entorno do Fogareiro”.

Fonte: G1 CE

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