Quase metade dos idosos do Piauí possuem catarata

Especialista fala sobre causas, sintomas e tratamento para doença.
1 de Setembro de 2021 às 09:50

Foto: Reprodução/ Ascom Quase metade dos idosos do Piauí possuem catarata.
Quase metade dos idosos do Piauí possuem catarata.

O Piauí é o segundo estado do país com mais incidência de catarata entre pessoas com 60 anos ou mais. Quase metade da população idosa do estado (44,3%) foi diagnosticada com a doença em um ou ambos os olhos, abaixo apenas o Rio Grande do Norte com 47,2%. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de ocorrência da doença entre os idosos do estado é 9,7 pontos percentuais superior à média nacional, que é de 34,6%. A pesquisa ainda revela que no Piauí apenas 68,8% dos diagnósticos com indicação para fazer a cirurgia foram realizados. No Brasil, o índice de realização da cirurgia chega a 74,2%.

A catarata compromete a visão de forma progressiva e pode levar à cegueira. Hoje a doença é a principal causa de cegueira reversível no mundo. O oftalmologista especialista em cirurgia de catarata, Dr. César Vilar, nos explica mais sobre esta condição.

“A catarata é a perda da transparência do cristalino, que é a lente natural do olho. A doença é normalmente causada pelo próprio envelhecimento natural dos olhos, onde a opacidade tende a progredir com a idade, em geral a partir dos 50 anos. Inicialmente, a catarata surge piorando a capacidade de foco e a qualidade da visão. À medida que progride, a visão segue piorando, podendo levar à cegueira em casos avançados”, detalha. 

O médico ressalta que o problema também pode estar ligado a outros fatores como: hereditariedade, traumas oculares, diabetes, uso de corticoides e outros.

“A catarata pode ser classificada em três tipos: congênita, presente desde o nascimento; catarata secundária, relacionada a fatores variados como traumas, uso crônico de algumas medicações, cirurgias oculares prévias, doenças como o diabetes, dentre outras causas; e a catarata senil, a mais comum e diretamente relacionada à idade”, detalha. 

O único tratamento para a catarata é a cirurgia, que consiste na remoção da lente natural opacificada e sua substituição por uma nova lente, artificial e transparente.

“A cirurgia moderna é feita por um aparelho que aspira a catarata de dentro do olho, e entra por uma pequena incisão, que normalmente não precisa de suturas e possibilita rápida recuperação visual ao paciente. Para essa cirurgia, é ideal que a catarata não esteja muito envelhecida (madura), pois isso torna a cirurgia mais difícil e aumentam as chances de complicações cirúrgicas. Assim, hoje em dia o mais preconizado é realizar a cirurgia da catarata em estágios iniciais a moderados, por ser mais segura”.

Uma das vantagens da cirurgia de catarata é a possibilidade de também se corrigir os erros de refração, isto é, o grau dos óculos, seja ele miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia.

“A tecnologia atual das lentes intraoculares e dos aparelhos de diagnóstico ocular permitem uma alta precisão em ajustar a refração ocular. A avaliação pré-operatória utiliza medidas do olho bastante delicadas. Em caso de cataratas muito avançadas, pode haver maior dificuldade em se obter melhores medidas, aumenta a chance de grau residual após a cirurgia. Assim, para se obter resultados mais precisos e seguros, deve-se buscar tratar a catarata precocemente”.

O diagnóstico da doença é feito durante a consulta oftalmológica de rotina. “Muitas vezes, o paciente não percebe o surgimento da catarata, pois vai se acostumando com as limitações iniciais da visão. Por isso é fundamental a consulta periódica com o oftalmologista, mesmo que na ausência de sintomas. Dessa forma, o paciente fica informado sobre o estágio da catarata e também se previne contra outras formas de cegueira”, pontua César Vilar.

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