Sem renegociar Ato Trabalhista, Fluminense busca acordos pontuais para evitar penhoras

Nova gestão identificou 147 reclamatórias que totalizam cobrança de R$ 135 milhões fora de acordo com o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro

Foto: Reprodução \ Internet Presidente Mário Bittencourt em entrevista com jornalistas
Presidente Mário Bittencourt em entrevista com jornalistas

O então candidato Mário Bittencourt afirmou, durante a campanha eleitoral do Fluminense, que, caso fosse eleito presidente, tinha como intenção renegociar o Ato Trabalhista. Comandando o clube desde 10 de junho, a nova direção, porém, não colocou a ideia em prática. Ao analisar a situação mais de perto, decidiu por uma nova estratégia.

A postura no momento é buscar acordos pontuais com ex-funcionários e ex-jogadores que entraram na Justiça para, desta forma, levantar ou evitar a penhora de receitas. Neste sentido, o Tricolor, conforme apuração do GloboEsporte.com, identificou 147 ações fora do acordo com o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro firmado em 2011. Elas, algumas em execução, totalizam um montante de R$ 135 milhões.

- Monitoramos os processos com possibilidade de penhora. Alguns que já existiam e outros que podem virar execução. O levantamento foi feito. O que estamos fazendo agora é pegar processo a processo e conversar com credor a credor para tentar apresentar uma proposta de fluxo de pagamento com alguma carência. A gente não tem condição financeira de iniciar pagamento agora. É uma 'escolha de Sofia': ou se paga o salário das pessoas que trabalham aqui ou se paga a dívida - disse o presidente em entrevista coletiva em 2 de agosto.

Foi em 28 de novembro de 2011, ainda na gestão Peter Siemsen, que o Flu firmou com o TRT o Plano Especial de Execução, popularmente conhecido como Ato Trabalhista. Ao pegar processos trabalhistas até aquela temporada, o clube se comprometeu a quitar em nove anos o valor total de R$ 121,2 milhões, ou seja, o parcelamento evitaria ter de desembolsar quantias importantes a cada derrota na Justiça.

O problema é que, por não pagar em dia, não recolher impostos e tampouco quitar rescisões contratuais, novos processos foram gerados. E são eles que, após serem julgados, geram os bloqueios financeiros. Um exemplo: as demissões por Whatsapp de atletas como Diego Cavalieri, Henrique e Marquinho, ao final de 2017, já na gestão Pedro Abad.

- Eu seria leviano se falasse que não sabia disso. Fui advogado do clube por 18 anos. Não estou reclamando ou lamentando. A gente montou uma equipe, um gabinete de crise. Me reúno com jurídico e financeiro três vezes por semana e monitoramos isso - completou Mário na mesma manifestação de 2 de agosto.

Na campanha, Mário falou da hipótese em alongar o Ato, ou seja, incluir nele processos com data posterior a 2011. Atualmente, o acordo com o TRT consome R$ 1,2 milhão por mês do Fluminense. O GloboEsporte.com consultou o tribunal e obteve resposta de que o pagamento está em dia. Ao final da sua gestão, o ex-presidente Abad fez um acordo que parte do dinheiro dos direitos televisivos seria destinado a este fim.

O GloboEsporte.com, então, questionou a assessoria de imprensa do Fluminense sobre a possibilidade de negociar um novo Ato Trabalhista. A resposta foi a seguinte:

"O Fluminense já tem um ato. Não fez pedido nenhum ainda de extensão e não se pronunciará no momento sobre o fato."

Fonte: Globo Esporte

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