Símbolo da reconstrução, Alan Ruschel tem saída discreta da Chapecoense

Pessoas próximas relatam descontentamento do lateral com ausência da diretoria na despedida

Foto: Reprodução \ Internet Alan Ruschel é parte da história da equipe catarinense
Alan Ruschel é parte da história da equipe catarinense

Parte indissociável da história da Chapecoense, Alan Ruschel é símbolo da reconstrução do clube depois da tragédia aérea na Colômbia, em 29 de novembro de 2016, antes da final da Copa Sul-Americana. Um dos seis sobreviventes da queda do avião, o lateral deu a volta por cima, recuperou-se fisicamente e conseguiu voltar a jogar futebol em alto nível.

A retomada na carreira mostra muito do que sempre se esperou, ao menos por parte da torcida, do time da Chapecoense: alguém que não desiste, luta até o fim pelos objetivos e tem garra para aguentar os tropeços no caminho. É o tão citado DNA verde e branco.

Mesmo com esse histórico, a saída de Alan Ruschel da Chape foi discreta. Sem coletiva de imprensa, agradecimento público ou nota de despedida por parte do clube. Enquanto ele esteve no CT da Água Amarela para dar adeus aos companheiros de equipe, nenhum integrante da diretoria se fez presente. A homenagem ficou por conta dos atletas, da comissão técnica, de Michel Costa, o gerente de futebol, e Jakson Follmann, amigo e também sobrevivente.

A falta de uma coletiva de imprensa para falar sobre os motivos da saída - ele foi emprestado ao Goiás - desfaz o padrão de outros casos, até menos emblemáticos. Desde 2017, após a tragédia na Colômbia, algumas pessoas tiveram a oportunidade de falar antes do adeus. É o caso de Vinicius Eutrópio.

Em 2017, o treinador assumiu o comando da equipe após a saída de Vagner Mancini. Com uma campanha ruim, apenas quatro vitórias em 17 jogos e aproveitamento de 27,5%, foi demitido do cargo após dois meses. Mesmo com o desempenho abaixo do esperado, falou sobre a saída em coletiva de imprensa ao lado do presidente Plínio David de Nês Filho, o Maninho.

Outros dois profissionais deixaram o Verdão e tiveram a oportunidade de se despedir: o diretor de futebol João Carlos Maringá e o atacante Wellington Paulista.

O primeiro, ídolo da torcida verde e branca, possui longo histórico de envolvimento com o clube. Foi campeão estadual como atleta em 1996, chegou a passar pelo cargo de técnico e trabalhou no departamento de futebol no acesso para a Série A e nas primeiras temporadas na elite. A volta foi após o acidente.

O segundo chegou após a tragédia. Com diversos times no currículo, WP9 também buscava identificação. Alcançou. Viveu altos, com a conquista do estadual, disputa para Libertadores e faixa de capitão. Mas também baixos, com um afastamento do elenco principal. O desligamento ocorreu na atual temporada, após transferência para o Fortaleza.

Há, no entanto, uma diferença nos demais casos. Alan Ruschel sai da Chape por empréstimo. O vínculo com o Goiás é até o fim do ano. O contrato com o clube catarinense se estende até 2020. Ou seja, um retorno não está descartado.

Pessoas próximas ao atleta relataram que Alan Ruschel ficou decepcionado com a postura do clube na saída, principalmente pelo fato de não ter recebido contato da diretoria verde e branca para se despedir, tampouco a presença de dirigentes no CT.

Ele chegou a se recusar a gravar um vídeo para o departamento de comunicação do clube se despedindo da torcida. Optou por usar as próprias redes sociais para dar adeus aos torcedores, cidade e pessoas “relacionadas ou não ao futebol”.

O desabafo na despedida não se referia à torcida ou imprensa. Dentro do clube, ele enfrentou a desconfiança de algumas pessoas. Chegou a ser aconselhado por treinadores a buscar um novo clube para ter mais oportunidades.

- Minha ida para lá é para calar a boca de alguns que falam bobagem, falam coisas que não devem. Se algum momento incomodei alguém aqui, não foi por não trabalhar. Pelo contrário, saio de cabeça erguida por ter feito meu melhor aqui dentro - falou na saída.

A procura para uma entrevista coletiva aconteceu apenas na noite de quarta-feira, após ter respondido aos questionamentos dos jornalistas presentes no CT da Água Amarela, ainda dentro de campo. Diante do cenário, após a repercussão da saída, o jogador declinou do convite.

Impacto no vestiário

Embora sem muitas chances de ter sequência, Alan Ruschel era uma das lideranças do elenco no vestiário. Recentemente, ao responder sobre a retirada de um tumor da canela esquerda, o lateral-direito Eduardo falou sobre o exemplo diário de superação do companheiro e dos outros dois sobreviventes, Neto e Follmann.

Em entrevista coletiva nesta quinta, Arthur Gomes foi além e falou da importância do defensor.

- O Alan Ruschel nos ajuda muito dentro e fora de campo. Ele é muito importante para nós. Alegria que ele tem no vestiário e treinos, nunca vi igual, por tudo que ele passou. Para mim, é um exemplo. Concentrei com ele, então fiquei feliz de conhecer. Desejo sucesso. Ele não precisa provar nada para ninguém, só para ele mesmo. Ser feliz no que ele é - disse o atacante.

O clube iniciou o ano com quatro laterais, mas três foram emprestados. Além de Alan Ruschel, que acertou com o Goiás, Vini Freitas e Roberto estão emprestados para Botafogo-SP e Figueirense, respectivamente. Agora, resta apenas Bruno Pacheco. Sem verba para novas contratações, o clube avalia o retorno de Roberto.

Fonte: Globo Esporte

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