Tunisianos vão às urnas para eleição presidencial incerta

Com ampla oferta de candidatos, incluindo o atual primeiro-ministro e um empresário preso, cerca de sete milhões votaram nas eleições do país que foi o berço da 'Primavera Árabe'.

Foto: Reprodução / web Dois dos principais candidatos à Presidência da Tunísia votam nas eleições deste domingo (15); à esquerda, Abdelfattah Mourou, do partido islamita e, à direita, primeiro-ministro, Youssef Chahed
Dois dos principais candidatos à Presidência da Tunísia votam nas eleições deste domingo (15); à esquerda, Abdelfattah Mourou, do partido islamita e, à direita, primeiro-ministro, Youssef Chahed

Sete milhões de pessoas votaram neste domingo (15) na Tunísia, país pioneiro da chamada "Primavera Árabe", para escolher seu próximo presidente, em uma eleição de resultado incerto diante do grande número de candidatos e após uma campanha sem claras divisões políticas.

Os postos eleitorais fecharam as portas às 18h no horário local (14h em Brasília), após um primeiro turno com baixa participação. Até o meio da tarde, o índice de participação chegava a 16,3%, segundo a Isie, instância organizadora das eleições.

Entre os 26 candidatos na corrida presidencial, estão o premiê Yussef Chahed; Nabil Karui, um magnata das comunicações investigado por lavagem de dinheiro e preso; e Abdelfattah Mourou, o primeiro candidato do partido de inspiração islamita Ennahdha.

As apostas seguiram até o último minuto, alimentadas pelas pesquisas divulgadas extraoficialmente –a publicação de levantamentos eleitorais está proibida desde julho– e pela indecisão dos eleitores diante da ampla oferta de candidatos.

"A eleição é difícil, e não haverá satisfação para 100%", resumiu Amira Mohamed, uma eleitora de 38 anos. Muitos disseram que ficaram indecisos até o final.

'Onde estão os jovens?'

Nas primeiras horas da eleição, a média de idade era bem mais alta nos postos eleitorais.

"Mas onde estão os jovens? É o futuro de seu país, seu futuro", lamentou Adil Toumi, um senhor na faixa dos 60 anos, que foi "participar de uma festa nacional, uma vitória da democracia".

Enquanto nas primeiras eleições livres na Tunísia, em 2011, a disputa foi em torno do apoio e da rejeição à Revolução e, em 2014, a questão-chave foi sobre o apoio aos islamitas, este ano, alguns candidatos tentaram se apresentar como "antissistema".

A principal preocupação dos tunisianos é a crise social, em um país de alto desemprego entre os jovens e com uma inflação que pesa para os mais pobres.

A luta contra o terrorismo, uma questão antes onipresente na Tunísia traumatizada pelos atentados terroristas de 2015-2016, deixou de ocupar lugar central nos debates.

O primeiro-ministro Yussef Chahed se vê limitado pelo controverso balanço de seus três anos no poder, marcados por uma clara melhoria da segurança, mas também pela queda do poder aquisitivo da população.

De acordo com o analista Michael Ayari, do International Crisis Group (ICG), a tensão entre os diferentes grupos em disputa acentua o risco de fazer o processo eleitoral descarrilar.

Estas eleições são um "teste" para a jovem democracia tunisiana, já que "poderão ter que aceitar a vitória de um candidato que gere divisão", afirma a pesquisadora Isabelle Werenfels.

Neste domingo (15), foram mobilizados cerca de 70 mil membros das forças de segurança, segundo o Ministério do Interior.

Na madrugada desta segunda-feira (16), algumas estimativas e pesquisas já devem começar a ser divulgadas, mas os resultados oficiais preliminares não devem ser anunciados antes de terça.

Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta no primeiro turno, os partidos se verão obrigados a preparar, de maneira simultânea, as eleições legislativas de 6 de outubro e o segundo turno da presidencial, antes do dia 23 do mesmo mês.

Primavera Árabe

A Primavera Árabe, revolução de 2011 que se expandiu para outras nações na região, provocou a queda do ditador Zine el Abidine Ben Ali e, desde então, o país tem seguido a via democrática, com a realização de várias eleições.

Entretanto, a abstenção, que se situava em 35% em primeiro turno em 2014, foi muito forte nas últimas eleições, chegando a 65% nas eleições municipais de meados de 2018.

Desde a revolução de 2011, o país realiza eleições presidenciais por sufrágio universal. A inscrição de um total de 7 milhões foi resultado de uma enérgica campanha da instância encarregada de organizar o pleito, a ISIE, que inscreveu 1,5 milhão de novos eleitores, em particular mulheres e jovens.

A Constituição de 2014 dá destaque ao Parlamento. As prerrogativas do presidente ainda são limitadas, essencialmente, aos âmbitos da defesa e da diplomacia, mesmo que seja o garantidor da Constituição e que possa apresentar projetos de lei ao Parlamento.

Fonte: G1

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